Foto: Globo — uso em caráter informativo.
Bruno Becker só fará o diagnóstico ao fim da temporada, após as saídas de Hélio e Guilherme dos Anjos. Os técnicos acumulavam funções fora de campo e o clube avalia a necessidade de um executivo de futebol para 2027.
O presidente do Náutico, Bruno Becker, afirmou que só fará um diagnóstico definitivo sobre o formato de trabalho adotado pelo clube ao fim da temporada. A declaração ocorre em meio à saída dos técnicos Hélio e Guilherme dos Anjos, que acumulavam funções fora de campo, e ao momento de incerteza sobre a necessidade de um executivo de futebol contratado para 2027.
Desenvolvimento
As demissões de Hélio e Guilherme dos Anjos colocaram em evidência o modelo em que treinadores acumulavam atribuições técnicas e administrativas, atuando também em contratações, saídas e decisões que exigiam maior integração entre departamentos do clube. A direção do Náutico não apresentou, até o momento, um executivo de futebol para substituir essas funções. Enquanto isso, os diretores Ítalo Braga e Fábio Lins vêm auxiliando diretamente o presidente Bruno Becker na condução do futebol do clube.
Sobre a avaliação do formato adotado, Becker deixou claro que não tem ainda uma resposta pronta e que a análise será feita ao fim da temporada. Em coletiva, o presidente ressaltou que não existe um modelo perfeito, apenas escolhas que podem sofrer ajustes ao longo do caminho.
Em relação ao modelo, já falei também em algumas situações que, no meu entendimento, não existe um modelo certo e errado. Existe um modelo escolhido e que ele nunca vai ser perfeito. E aí, diante disto, independentemente do modelo, se fazem os ajustes se forem necessários. Acho que é importante reconhecer que, se precisar de ajuste, fazer os ajustes.
Mas não é questão de dizer certo ou errado, é reconhecer. É claro que, ao longo da temporada, nós estamos analisando. O dia a dia aqui serve, inclusive, para analisar a escolha nossa de início de temporada e, no fim da temporada, a gente vai fazer um balanço.
O Náutico já encaminhou a contratação de um substituto para o cargo de treinador, com a expectativa de retorno de Bruno Pivetti. A direção, porém, não confirmou, neste momento, a contratação de um executivo de futebol — hipótese que não está descartada, segundo os responsáveis pelo clube.
Na avaliação pública do comentarista Cabral Neto, que analisou a saída da dupla de técnicos e o desenho de gestão adotado, o clube não deve descartar a repetição desse modelo no futuro, mas o momento imediato exigiria reforços no departamento de futebol com nomes dedicados exclusivamente à pasta.
O Náutico não deveria vetar essa possibilidade de repetir esse modelo, como também não deveria ter isso como padrão a partir de agora. O ideal é se manter aberto às circunstâncias, ao profissional que está à frente do comando. Num primeiro momento, o ideal talvez seja voltar a um modelo mais estabelecido e ter de fato um gerente de futebol, um diretor de futebol específico remunerado para trabalhar nos bastidores, e o treinador apenas se dedicar aos assuntos em campo.
A montagem do elenco ficou mais vulnerável do que se imaginava que poderia ficar, mesmo tendo sido feita dentro de um projeto, de um modelo de jogo, de um pensamento técnico, mas no fim acabou não funcionando. Mesmo assim, não acho que deva ser algo vetado para o futuro, dependendo de quem estará comandando o futebol em campo.
Contexto que a fonte não deu
O modelo adotado pelo Náutico, em que membros do corpo técnico acumulam funções administrativas e de gestão de elenco, tem sido experimentado em clubes que buscam integração entre planejamento esportivo e decisões operacionais. No caso alvirrubro, essa integração ampliada incluiu a participação dos técnicos em contratações e saídas de jogadores, o que agora é colocado em xeque após as demissões.
Embora não haja números públicos sobre turnover de atletas fornecidos pela direção na coletiva, a crítica do comentarista sobre a montagem do elenco aponta para uma percepção comum em análises esportivas: quando quem monta o grupo também comanda o dia a dia do time, a margem de erro em escolhas de mercado pode se ampliar, especialmente se faltarem especialistas dedicados a negociações e planejamento de longo prazo.
O contexto esportivo imediato também pressiona decisões administrativas. O clube terá, neste sábado, um clássico que costuma marcar a temporada local: Náutico e Sport se enfrentam no estádio Esportes da Sorte Aflitos, às 16h30, pela 30ª rodada da Série B. A partida terá transmissão pela Globo para Pernambuco e pelo Premiere para todo o Brasil. Esse tipo de confronto costuma intensificar a atenção sobre caminhos técnicos e administrativos, uma vez que resultados imediatos têm peso nas avaliações internas e na percepção da torcida.
Além da partida, o encerramento da temporada será o momento apontado por Becker para um balanço mais amplo. Cabe lembrar que decisões sobre modelo de gestão, contratações de executivos e definições sobre o treinador do próximo ano costumam levar em conta o desfecho esportivo (resultados, permanência na divisão, campanhas em competições) e também a disponibilidade de profissionais no mercado.
Próximo passo
O desfecho imediato da história terá duas frentes: dentro de campo, o resultado e a performance no clássico contra o Sport podem influenciar o humor do ambiente e a urgência de ajustes; fora de campo, a direção do clube manterá a fórmula de avaliar o formato de trabalho apenas ao fim da temporada, como declarou o presidente.
Se entender que esse modelo não é mais o indicado para se seguir, não tenho problema nenhum em a gente mudar novamente. Não quero repetir erros, mas erros novos, sempre no intuito de acertar. Não vejo problema. Acho que não é hora e também não seria justo, da minha parte, dizer que acertei ou errei, embora, repito, não tenho nenhum problema com isso. Mas a gente precisa terminar a temporada e, se tiver que mudar o rumo, a gente muda.
Enquanto a diretoria não formalizar a contratação de um executivo de futebol, a expectativa é de que os dirigentes e o novo treinador — caso Bruno Pivetti assuma oficialmente — terão de compartilhar responsabilidades operacionais e técnicas até uma definição mais estruturada. O balanço definitivo prometido por Bruno Becker ao fim da temporada será, portanto, o próximo marco decisório para o clube sobre se mantém o modelo testado em 2026 ou se opta por um desenho de gestão diferente para 2027.

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