Foto: Globo — uso em caráter informativo.
Carlos Cordeiro renunciou ao cargo na Fifa em protesto contra o plano de criar empresa para gerir torneios e vender participação nos direitos da Copa. Ex-presidente da USSF e executivo do Goldman Sachs, atuava desde 2021.
As controvérsias em torno da proposta da Fifa para a criação de uma empresa que administraria seus torneios e abriria parte de seu capital a investidores privados adquiriram um novo desdobramento nesta sexta-feira. Carlos Cordeiro, assessor sênior do presidente da Fifa, Gianni Infantino, decidiu renunciar ao cargo em protesto contra o plano da entidade de vender participação nos direitos comerciais da Copa do Mundo.
Cordeiro, que já ocupou a presidência da Federação de Futebol dos Estados Unidos e foi vice-presidente do banco Goldman Sachs, exercia suas funções na Fifa desde 2021. Em um comunicado à imprensa, ele anunciou sua saída com efeito imediato, enfatizando que não participou da elaboração da proposta que gerou a sua renúncia.
“Como assessor sênior do presidente da Fifa, ex-banqueiro e torcedor de futebol durante toda a vida, não posso permanecer enquanto a Fifa considera vender uma participação na Copa do Mundo. Não tive qualquer envolvimento nessa proposta e me oponho a ela de forma inequívoca. É um mau negócio para as federações, para o futebol e para o futuro do esporte”, afirmou Cordeiro.
A proposta em questão envolve a criação de uma subsidiária para administrar e comercializar os direitos de competições, como a Copa do Mundo. O projeto prevê a venda de 20% da nova empresa a investidores privados, o que, segundo estimativas, poderia resultar em uma avaliação de US$ 20 bilhões, ou cerca de R$ 104 bilhões. A venda dessa participação poderia gerar à Fifa aproximadamente US$ 4,2 bilhões, equivalente a R$ 21,8 bilhões.
Cordeiro expressou suas preocupações quanto à necessidade financeira dessa operação, ressaltando que a Fifa já possui bilhões de dólares em reservas e não enfrenta dívidas. Ele também destacou que a entidade estima arrecadar US$ 15 bilhões durante o ciclo entre 2022 e 2026.
“Vender uma participação permanente no ativo mais valioso do futebol para arrecadar US$ 4,2 bilhões faz pouco sentido. É hipotecar o futuro do futebol sem uma justificativa convincente”, criticou Cordeiro.
Além das questões financeiras, o ex-assessor questionou a falta de transparência em relação à negociação, exigindo esclarecimentos sobre a identidade dos investidores potenciais, os mecanismos de fiscalização, o modelo de governança da empresa e os benefícios que seriam concedidos aos compradores. Ele também comentou sobre o prazo apertado dado às 211 federações filiadas à Fifa para que se manifestem sobre o projeto, que é até 19 de setembro. Cordeiro alertou que as federações estão sob pressão para tomar uma decisão de grande impacto em um período de pouco mais de 50 dias, correndo o risco de serem deixadas de fora do processo.
“Essa não é uma maneira responsável de decidir o futuro do futebol mundial”, declarou.
A renúncia de Cordeiro aumenta a pressão sobre Gianni Infantino, que já enfrenta críticas e perdeu apoio dentro da Fifa em decorrência da proposta. Cordeiro era visto como uma figura influente na entidade devido à sua experiência nos setores financeiro e esportivo.
Essa situação ocorre em um momento em que o futebol europeu está ameaçando boicotar a proposta, enquanto as confederações regionais se unem contra a ideia de abertura de capital da Fifa. A crescente insatisfação entre os clubes e federações tradicionais do futebol pode resultar em um cenário complexo para a Fifa e seu presidente, que busca implementar mudanças significativas em uma instituição que já é considerada um dos pilares do esporte mundial.
O futuro do futebol pode estar em jogo, e a pressão sobre a Fifa para garantir a transparência e a responsabilidade em suas decisões deve ser uma prioridade, especialmente em um momento em que o esporte enfrenta desafios financeiros e de governança. A próxima reunião das federações será crucial para determinar os próximos passos em relação a esse polêmico projeto.

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