Foto: Agência Brasil/EBC — uso em caráter informativo.
Quando a Seleção Brasileira entrar em campo HOJE, contra o Japão, iniciando o mata-mata da Copa do Mundo, um torcedor muito especial estará ligado na telinha. Aos 91 anos, Simão Ribeiro da Silva, natural do Piauí e pioneiro na construção de Brasília, se prepara para viver a sua 20ª Copa do Mundo.
Desde os tempos do rádio de válvula que anunciou a “tragédia” de 1950 até o “cineminha” que ele montou na rua para ver o tricampeonato em cores em 1970, Seu Simão atravessou quase um século de amor pelo futebol brasileiro. E ele não tem dúvidas: o hexa vem!
“Nós já tivemos Copa assim, a turma foi assim meio desacreditada e depois levantou a moral. Mas eu acho que eles estão escolhendo muito bem. Os caras estão bons. Primeiro, eles não devem nada a eles lá. Não vai ter para ninguém não. O hexa vem”, afirma o torcedor, que atualmente reside em Sobradinho, no Distrito Federal.
A história de Seu Simão é marcada por momentos emblemáticos do futebol. Ele acompanhou a evolução dos times e da tecnologia para torcer. Nos anos 1950 e 1960, as transmissões de rádio eram pura emoção e imaginação.
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“Tinha os locutores de rádio que começavam a badalar: bola passou para fulano, beltrano, passou para Jairzinho, Jairzinho fez isso e é gol! E aí aquela alegria de todo mundo. Agora não, você vê, não precisa ninguém nem falar nada. Naquele tempo era a sensação da voz, do som, era pelo ouvido que a gente vibrava, gritava, fazia festa”, relembra.
Uma das decepções marcantes de sua vida foi a derrota do Brasil para o Uruguai, em 1950, na final da Copa do Mundo. Ele se recorda da tristeza que tomou conta dos torcedores ao ouvir o resultado no rádio enquanto trabalhava nos garimpos no Piauí.
“Eram aqueles radinhos de válvula, de capa de madeira. Não era todo mundo que tinha, a pessoa muitas vezes tinha um rádio numa loja, e aqueles que tinham também não gostavam que ninguém ficasse lá escutando”, conta.
Por outro lado, a Copa de 1970 foi um marco! Simão era um dos poucos que possuíam uma televisão em cores em sua cidade. Ele se recorda com carinho de como seus amigos e vizinhos se reuniam em sua casa para assistir ao tricampeonato mundial do Brasil, que contou com as estrelas Pelé, Jairzinho e Tostão.
“No próximo jogo, botei a televisão lá fora de casa na rua, botamos uns bancos, cadeira, cada um trazia e sentava e fez um cineminha. E afinal foi fantástico, né? Fizeram a vibração só. Era farra mesmo”, recorda com entusiasmo.
O Brasil, que é o maior campeão da história das Copas do Mundo, ergueu a taça em 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002. A expectativa para a próxima conquista está nas mãos da Seleção, e Seu Simão, com sua paixão inabalável, certamente estará vibrando mais uma vez.
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