O técnico italiano define sua estratégia para a Copa: vencer sofrendo menos gols. Para Ancelotti, talento ofensivo não basta sem uma defesa confiável.
Carlo Ancelotti está prestes a fazer sua estreia como treinador em uma Copa do Mundo, e as expectativas são altas para a seleção brasileira. Desde que assumiu o comando, há pouco mais de um ano, o técnico italiano deixou claro que a chave para conquistar o hexacampeonato está em uma defesa sólida.
“O Brasil para ganhar Mundial tem de ter talento, e temos, e também se defender bem. Não há outra via. Copa do Mundo ganha aquele que leva menos gols, não quem faz mais”, destacou Ancelotti antes de um amistoso importante contra a Croácia.
A defesa tem se mostrado uma preocupação para a equipe canarinha. Com as dúvidas nas laterais e a ausência de Éder Militão na Copa do Mundo, o Brasil enfrentou dificuldades. Até o momento, em dez jogos sob o comando de Ancelotti, a equipe sofreu sete gols. O setor defensivo foi vazado em três partidas consecutivas contra adversários como Tunísia, França e Croácia.
A máxima de Ancelotti, que afirma que “ataques ganham jogos, defesas ganham campeonatos”, é um clichê conhecido no mundo do esporte. No entanto, a história parece reforçar essa ideia. O treinador italiano fez referência ao desempenho defensivo da seleção brasileira nos títulos de 1994 e 2002, onde as equipes apresentaram os melhores números defensivos entre os concorrentes.
Desde a primeira edição da Copa do Mundo, realizada em 1930, a importância da defesa tem se destacado. A competição passou por várias mudanças, e desde 1974, as seleções precisam jogar pelo menos sete partidas para serem campeãs. Analisando os dados das 22 primeiras edições do torneio, fica evidente que as equipes com defesas mais robustas costumam levar a melhor nas finais.
Em oito ocasiões, as seleções que se destacaram defensivamente conquistaram o título, em comparação a apenas quatro vezes em que o ataque foi o fator determinante. Um exemplo marcante é a final de 2010, onde a Espanha, embora fosse aclamada por seu poder ofensivo, anotou apenas sete gols antes da decisão, enquanto os Países Baixos, vice-campeões, balançaram as redes 12 vezes. No entanto, a La Roja sofreu apenas dois gols durante todo o torneio, ambos em sua estreia, demonstrando a força de sua defesa.
Além da Espanha, outras seleções como França (1998), Itália (1982), Argentina (1978), Inglaterra (1966) e Uruguai (1930 e 1950) também conquistaram o título sofrendo menos gols do que seus adversários na final, mesmo apresentando um ataque inferior em comparação. A Argentina, por exemplo, em 2022, tinha uma média de gols sofridos semelhante à da França antes da final, com apenas um gol a menos marcado.
Por outro lado, equipes como Alemanha (1990 e 2014) e Brasil (1970 e 2002) mostraram que um ataque forte também pode garantir o sucesso em Copas do Mundo. Portanto, no embate entre defesa e ataque, o Brasil se prepara para encontrar o equilíbrio ideal para brilhar no torneio que se aproxima.
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