Foto: Globo — uso em caráter informativo.
A Associação Efapi Boul virou símbolo de integração em Chapecó. O futebol une jovens haitianos e transforma vidas longe de casa.
Em Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, a vibrante comunidade haitiana se destaca pela sua organização e participação ativa no cenário esportivo local. Um exemplo emblemático é a Associação Efapi Boul, equipe que já conquistou o título da principal competição de futebol do maior município da região.
“O time foi criado para trazer alegria ao coração da comunidade haitiana. O futebol hoje em dia podemos dizer que é uma chave para abrir muitas portas”,
afirmou Stevenson Andre, presidente da associação. Ele enfatizou a importância do esporte na vida dos jovens:
“Nosso time agora tem bastante jovem, eles estão na faculdade estudando. Graças ao futebol, estamos reunidos aqui e temos muitas oportunidades.”
A trajetória de adaptação e integração dos haitianos em Chapecó não é simples. Muitos chegaram sem conhecer a cultura local e o idioma, mas a Associação Efapi Boul tem sido fundamental nesse processo.
revelou Ledic Deciamus, capitão do time.“Quando eu cheguei aqui em 2021, não conhecia ninguém. Comecei a jogar futebol e conheci muita gente. Chegar em um país onde não tenho família e estou vivendo sozinho é muito difícil, mas com o futebol eu me adaptei”,
Hoje, a Associação Efapi Boul opera de forma organizada, com uniformes, coletes, treinos regulares e uma comissão técnica estruturada. O envolvimento das famílias dos atletas e dirigentes é essencial para o sucesso do projeto.
projetou Francia Pierre, auxiliar de organização dos uniformes e treinos.“Eu gosto de trabalhar com eles, tem muitos jovens. Hoje somos nós e amanhã serão eles dando continuidade. Estamos formando-os para fazerem algo melhor amanhã”,
A conquista mais significativa da equipe ocorreu em 2019, quando a Associação Efapi Boul ergueu a taça do Campeonato Municipal de Futebol de Chapecó na Arena Condá, casa da Chapecoense na Série A do Campeonato Brasileiro.
relembrou Stevenson Andre, com emoção.“Fomos jogo a jogo, não imaginávamos que poderíamos ganhar o título. Quando o time se classificou para a segunda fase, passamos a nos dedicar mais com vontade de sermos campeões e a gente conseguiu, o time fez história e deu alegria para todos os haitianos”,
Atualmente, o Haiti retorna à Copa do Mundo após 52 anos e enfrentará o Brasil nesta sexta-feira, às 21h30 (horário de Brasília). Nesse contexto de recomeço no Brasil, os integrantes da Associação Efapi Boul se dividem em suas torcidas.
disse Jacklin Theodore, técnico da equipe. Por outro lado, Valensky Rodney Germain Pierre, ajudante, declarou:“Pergunta difícil essa de para quem eu vou torcer. Minha torcida é 50 a 50, porque eu sou haitiano, mas amo o Brasil. Mas no fundo, acho que vou torcer pelo meu país, para dar um pouco de alegria para todos os haitianos, tomara que dê um bom jogo”,
“Eu vou torcer para o Brasil, eu gosto mais dos jogadores, e tem o Neymar, então eu acho que o Brasil é melhor do que o Haiti.”
Vale lembrar que Brasil e Haiti se enfrentaram três vezes na história, a última delas na Copa América de 2016, quando a Seleção Brasileira aplicou 7 a 1 nos haitianos.

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