Foto: Divulgação — uso em caráter informativo.
A seleção iraniana estreou com empate de 2 a 2 contra a Nova Zelândia, mas o jogo ficou em segundo plano. Restrições diplomáticas entre Irã e EUA obrigaram a equipe a abrir mão da concentração fixa.
Em uma noite marcada por tensões políticas e desafios logísticos, a seleção iraniana fez sua estreia em solo americano na última segunda-feira, 15, enfrentando a Nova Zelândia em um emocionante empate de 2 a 2. Contudo, o que deveria ser um momento de celebração se transformou em uma plataforma de protesto contra as restrições impostas à equipe, que se viu obrigada a realizar um ‘bate-volta’ devido às crescentes tensões diplomáticas entre Irã e Estados Unidos.
A seleção, que inicialmente planejava se hospedar em Tucson, no Arizona, teve que mudar sua estratégia e estabelecer sua base de treinos em Guadalajara, no México. O plano foi alterado após a exigência de que a equipe entrasse e saísse do território americano no mesmo dia das partidas. Essa situação gerou uma série de críticas por parte do treinador e dos jogadores, que se sentiram prejudicados pela logística imposta.
“Nem nós sabemos (porque vamos ter que sair) e é realmente engraçado. O planejamento da nossa equipe é feito em um lugar, mas a decisão final é tomada em outro. Deveríamos ter vindo para Los Angeles duas noites antes do jogo, mas não permitiram”, afirmou Amir Ghalenoei, técnico da seleção iraniana.
Ghalenoei destacou a severidade da situação, mencionando que a seleção é, talvez, a mais oprimida da história da Copa do Mundo. “O presidente da federação não está aqui, o gerente da equipe não está aqui, o gerente interno da equipe não está aqui, o departamento de mídia não está aqui”, disse ele, expressando sua frustração com a falta de suporte adequado. O técnico ainda ressaltou que a comissão técnica teve que assumir responsabilidades que deveriam ser da diretoria, desviando o foco das questões técnicas que são cruciais para o desempenho da equipe.
Os jogadores também se manifestaram. O capitão Mehdi Taremi, em um desabafo na zona mista, lamentou a impossibilidade de permanecer nos Estados Unidos durante a Copa. “O certo era dormirmos aqui, fazermos a recuperação amanhã. Temos que deixar o país agora”, reclamou o camisa 9, evidenciando a pressão que a equipe enfrenta. Ele acrescentou: “Isso não é bom para a gente, não é bom para o futebol. Numa Copa, você tem que se preparar bem, há muito estresse. Não temos esse suporte. A FIFA tem que nos ajudar mais do que isso.”
Enquanto a seleção iraniana continua sua jornada na Copa do Mundo, as incertezas persistem, e a logística imposta levanta questões sobre o tratamento das equipes em situações semelhantes. O futuro da equipe e suas condições de participação estão agora sob os holofotes, à medida que a competição avança.

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