Na última terça-feira, 02 de junho de 2026, a camisa que Pelé usou na histórica final da Copa do Mundo de 1958 voltou a ser o centro das atenções globais. A peça, que foi leiloada em 2004 para salvar o Museu dos Esportes de Maceió, agora será novamente leiloada, com um valor estimado em mais de 6 milhões de dólares, o que equivale a aproximadamente R$ 30 milhões.
A renomada casa de leilões Sotheby’s confirmou que o novo leilão acontecerá entre 29 de junho e 16 de julho, durante o período da Copa do Mundo. O comprador da camisa em 2004, cuja identidade permanece em segredo, fez questão de pôr a peça à venda novamente, atraindo a curiosidade de colecionadores e amantes do futebol.
A história da camisa é igualmente fascinante. Ela chegou ao Museu dos Esportes em Maceió por meio de Dida (Edvaldo Alves Santa Rosa), reserva de Pelé na Copa de 1958. Em 1993, quando o museu foi inaugurado no Estádio Rei Pelé, Edson Santa Rosa, irmão de Dida, doou a camisa, que se tornou uma das principais atrações do local até 2003, quando foi retirada de exposição.
“Essa camisa estava com o Edson. O Dida, quando veio, deixou a camisa com o irmão. A ideia de leiloar a camisa surgiu quando o museu enfrentava uma grave crise financeira”, revelou Lauthenay Perdigão, ex-diretor do museu.
O leilão de 2004 arrecadou 59 mil libras (cerca de R$ 300 mil na época), montante que foi crucial para manter o museu em funcionamento. Lauthenay explicou que, mesmo com os desafios financeiros, o leilão proporcionou melhorias significativas nas instalações do museu.
“No fim, sobraram R$ 52 mil, o que ajudou a reformar o espaço e garantir a continuidade do nosso trabalho”, completou.
Edson Santa Rosa, que faleceu recentemente, compartilhou em 2019 que desapegar da camisa foi um desafio emocional, pois ela representava uma rica herança familiar e uma parte da história do futebol. Ele destacou a importância da doação para o museu e a dificuldade de perder um item tão valioso.
“Foi um presente e se tornou uma memória… Sabíamos como era mantido o museu, que passava por dificuldades”, disse Edson.
A neta de Lauthenay, Marcela Acioli, que agora é responsável pelo museu, afirmou que a família não receberá nenhum valor com o novo leilão. Ela expressou a frustração de não ter encontrado uma solução alternativa para manter a camisa no acervo do museu.
“É um orgulho saber que essa preciosidade fez parte do nosso acervo, mas é inevitável sentir frustração por não ter conseguido mantê-la”, lamentou.
A autenticidade da camisa de Pelé foi confirmada por campeões mundiais que visitaram o museu e atestaram a procedência da peça. Na final de 1958, Pelé brilhou ao marcar dois gols na vitória do Brasil sobre a Suécia, consolidando a camisa 10 como um símbolo eterno do futebol.

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