Foto: Globo — uso em caráter informativo.
Primeira derrota de Paulo Autuori na Série B expôs queda de rendimento e aumentou a apreensão de jogadores e torcedores. O time sofreu expulsão de Nicolas Careca aos 6 minutos por intervenção do VAR, e cedeu a virada.
O Fortaleza sofreu sua primeira derrota sob o comando de Paulo Autuori na Série B e viu crescer a apreensão entre jogadores e torcedores após perder de virada para o líder da competição. O revés destacou uma tendência de queda de produção que o time vinha mostrando nas últimas rodadas e deixou dúvidas sobre a capacidade do grupo de reverter o momento na reta final da fase de pontos corridos.
O jogo e os fatos decisivos
O empate e a virada aconteceram em um jogo marcado por eventos extremos nos minutos iniciais: com apenas seis minutos, Nicolas Careca foi expulso com intervenção do VAR, e, logo em seguida, Paulo Baya converteu o lance para abrir o placar a favor do Tricolor. A chance de controlar a partida, porém, durou pouco. Doze minutos após a expulsão de Careca, Lucas Emanoel também recebeu cartão vermelho, após um carrinho mais à frente do meio de campo.
O equilíbrio voltou ao placar quando Matheus Bianqui empatou oito minutos depois da segunda expulsão, e, no decorrer do segundo tempo, o time adversário cresceu na partida e virou o marcador. O gol decisivo veio em uma conclusão de Luís Oyama, que “decretou os números finais” da partida, segundo a narrativa do jogo. Ainda no segundo tempo, Tomás Cardona recebeu cartão vermelho logo após a virada do time paulista, substituindo o que poderia ser outro gol do adversário por uma expulsão e comprometendo a disponibilidade do defensor para a rodada final.
Ao longo da partida, o Fortaleza teve apenas 37 minutos de produção efetiva, período em que buscou pressionar e criar chances. Depois disso, a equipe viu o adversário crescer e dominar as ações, enquanto as substituições promovidas pela comissão técnica não surtiam efeito. A equipe chegou a utilizar uma estratégia de bolas longas nos minutos finais, sem sucesso; o adversário controlou o jogo nos 15 minutos finais e celebrou o acesso esperado.
Escolhas de escalação e rendimento individual
Uma hora antes do início da partida, surgiram dúvidas com a escalação: Paulinho apareceu como titular na lateral direita e Lucas Emanoel no meio de campo. Paulinho estreava no certame na penúltima rodada, enquanto Lucas Emanoel não atuava desde agosto e não era titular havia sete meses. No ataque, a opção por Paulo Baya e Pedro Henrique também não parecia inspiradora diante da ineficácia recente dos centroavantes, e a movimentação acabou evidenciando dificuldades ofensivas no decorrer da partida.
No segundo tempo, a produção ofensiva do Fortaleza praticamente cessou: fora uma finalização de Pedro Henrique após um lançamento na área, o time não registrou outros chutes significativos. Do lado do Novorizontino, apesar de não ter sido tão eficiente nas finalizações — 15 tentativas e apenas quatro no gol —, a conclusão de Luís Oyama foi suficiente para garantir o triunfo e confirmar a festa do time visitante.
Contexto esportivo e o que está em jogo
A derrota interrompeu uma sequência de invencibilidade de 17 jogos do Fortaleza e agravou um viés de baixa que vinha se acentuando: o clube somou apenas uma vitória nas cinco últimas partidas antes do confronto. A uma rodada do fim da fase de pontos corridos, o resultado mina parte da confiança que o elenco e a torcida depositavam no acesso direto à Série A — objetivo que vinha sendo repetido publicamente como a prioridade do clube desde o início da competição.
Além do impacto imediato no estado anímico do elenco, o revés trouxe consequências práticas: o adversário, líder do campeonato, confirmou o acesso antecipado à Série A e terá de lidar com a ausência de Tomás Cardona na última rodada, quando enfrentará o Vila Nova. Por sua vez, o Fortaleza manterá a possibilidade de se recuperar na última rodada, jogando em casa, mas com o desafio de reequilibrar o psicológico de atletas e torcedores diante de um momento de resultados negativos.
O cenário também ganha gravidade quando se considera o investimento feito pelo clube na temporada: a equipe figura entre as que possuem uma das maiores folhas salariais da competição e já promoveu mudança de técnico no meio da campanha em busca de regularidade. Ir para os playoffs, em vez de garantir o acesso direto, representa uma quebra de metas em um projeto que havia centralizado esforços nesse objetivo.
O que vem a seguir
A imagem que fica é de um time que precisará recuperar confiança rapidamente para não se complicar ainda mais em sua ambição de retornar à elite. O Fortaleza terá a última rodada da fase de pontos corridos como oportunidade de restabelecer o ambiente e reagir diante de sua torcida: será a chance de mostrar resposta imediata após a perda da invencibilidade e das críticas pelo desempenho da equipe nas últimas partidas.
Do outro lado, o Novorizontino celebrou o acesso e prepara-se para o próximo compromisso sem um de seus zagueiros, que foi expulso no jogo. A definição das situações de ambos os clubes na rodada final será determinante para como seguirá a narrativa da temporada: se o Fortaleza conseguirá fechar a fase regular com uma reação em casa ou se a equipe manterá a tendência de queda que se acentuou com esta derrota.
O episódio deixa no ar mais perguntas do que respostas: haverá mudanças táticas ou de atitude para o confronto derradeiro? Como reagirão os jogadores a uma derrota que interrompeu uma longa invencibilidade e expôs fragilidades em momentos decisivos? As respostas começarão a vir no próximo compromisso de cada equipe, quando o calendário encerrar a etapa de pontos corridos e apontar caminhos para a sequência da temporada.

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