Foto: Globo — uso em caráter informativo.
Grupo Magnum, do empresário Roberto Graziano, ofereceu compra de 90% das ações; a proposta será analisada pelos sócios em 19 de novembro. A diretoria também precisa sanar pendências salariais com o elenco.
Com a temporada de futebol já encerrada, o presidente Rômulo Amaro terá pela frente decisões cruciais para o futuro do Guarani: concluir a venda da SAF e diminuir as pendências salariais com o elenco. Dois fatores, a transformação em SAF e a regularização de pagamentos, aparecem como as principais frentes que a diretoria precisa avançar nos próximos meses.
Desenvolvimento
A proposta de venda da SAF ao empresário Roberto Graziano será levada a votação dos sócios no próximo dia 19 de novembro. O investimento oferecido pelo dono do Grupo Magnum prevê a aquisição de 90% das ações do clube, com um montante global estimado em cerca de R$ 1,075 bilhão — dos quais R$ 400 milhões seriam direcionados diretamente ao futebol.
Antes da assembleia de sócios, Graziano ficará à disposição para esclarecer dúvidas em assembleias que serão realizadas a partir do próximo dia 16 de novembro. O Conselho Deliberativo já emitiu um parecer favorável ao negócio, recomendando a aprovação pelos associados.
Paralelamente, o clube trabalha para alinhar as obrigações tributárias no processo de transição para a SAF. A minuta inicial da proposta precisou ser ajustada porque afirmava que o clube estaria em dia com esses compromissos, o que não condizia com a existência de débitos pendentes. A versão que será votada em novembro prevê que o investidor assuma essas pendências, e a redação será alterada para refletir a situação financeira atual do Guarani.
Outra etapa prevista no processo é a análise do administrador judicial, ligada à recuperação judicial em curso do clube. Essa fase fará parte das tratativas formais que antecederão a eventual assinatura do acordo com o novo controlador.
No plano das relações trabalhistas, a diretoria enfrenta pressão por causa dos atrasos salariais. Alguns jogadores, como Isaque e Emerson Júnior, entraram na Justiça pedindo a rescisão de contrato. Outros atletas, entre eles Ynaiã e Diego Torres, também adotaram medidas jurídicas para cobrar o clube diante da falta de pagamentos. Há ainda um grupo de jogadores que está sem receber há aproximadamente dois meses e que estuda tomar o mesmo caminho.
Gestão e futuro do departamento de futebol
O executivo Carlos Frontini, que vem conduzindo as primeiras tratativas por reforços para 2027, também não tem o futuro garantido no Brinco de Ouro. Apesar de manter vínculo com o clube, o nome de Frontini não é consenso entre integrantes do grupo do investidor e, caso a SAF assuma, haverá uma reunião com o dirigente para definição do seu papel.
Existem defensores da permanência de Frontini dentro do clube, sob o argumento de que sua continuidade poderia preservar o planejamento esportivo já iniciado. Entre as movimentações que o executivo tem liderado constam conversas por reforços, como as tratativas para o lateral-direito Ruan Teixeira e para o volante Thiaguinho, voltadas à montagem do elenco para a temporada de 2027.
Na comissão técnica, o plano A da diretoria é contar com o retorno do técnico Umberto Louzer, atualmente emprestado ao Criciúma. A permanência de Louzer no Tigre dependerá do desfecho da Série B: caso o Criciúma consiga o acesso, o clube catarinense cogita pagar a multa contratual para manter o treinador em 2027. A Série B terá seu encerramento no dia 14 de novembro, data em que o Criciúma deverá se manifestar sobre o interesse em manter Louzer.
Contexto que não estava no texto principal
O processo de transformação em SAF é uma operação complexa que envolve não apenas a negociação do valor da compra, mas também a readequação de contratos, a revisão de passivos e a concordância de atores internos ao clube, como sócios e conselheiros. No caso do Guarani, a existência de débitos tributários e trabalhistas torna imprescindível que a proposta final deixe clara a responsabilidade sobre essas pendências. A atuação do administrador judicial e o seguimento da recuperação judicial terão papel decisivo para dar segurança jurídica à transação.
Do ponto de vista esportivo, embora a temporada já esteja encerrada para o Guarani, o horizonte imediato para 2027 passa pela definição do elenco e do treinador. A indefinição sobre o pagamento de salários e a possibilidade de saída de profissionais-chave — seja no departamento de futebol ou no comando técnico — podem impactar tanto as negociações por reforços quanto a preparação para a próxima temporada. A retomada das atividades será influenciada pelo ritmo de resolução das questões financeiras e pela confirmação de quem comandará a operação esportiva após a assembleia de novembro.
Próximos passos
Os próximos capítulos desta transição terão marcos claros no calendário: a realização de assembleias a partir do dia 16 de novembro e a votação da proposta de venda da SAF no dia 19 de novembro. Antes disso, a direção seguirá negociando pontos da minuta com o investidor e aguardará a análise do administrador judicial no âmbito da recuperação judicial. No front das relações trabalhistas, a situação dos jogadores que acionaram a Justiça deverá evoluir conforme as ações forem protocoladas e julgadas.
Em síntese, nas próximas semanas estarão em jogo a conclusão ou o adiamento de uma transação que pode mudar a estrutura do clube e a resolução de passivos que influenciam diretamente a condição do elenco. As decisões tomadas entre meados e o fim de novembro tendem a definir o quadro técnico, a capacidade de investimento para 2027 e o ritmo de pagamento das obrigações trabalhistas.

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