Foto: Globo — uso em caráter informativo.
Durante sabatina do Grupo RBS, o candidato expôs diagnóstico financeiro e soluções para contratações, infraestrutura e formato SAF. Amarante também abordou investimentos nas categorias de base e no futebol feminino, prometendo mais transparência na governança.
O candidato à presidência do Sport Club Internacional, José Amarante, foi sabatinado por jornalistas do Grupo RBS na noite desta quarta-feira em uma entrevista que durou cerca de uma hora e meia. Durante o encontro foram abordados temas centrais para a gestão do clube, como futebol masculino e feminino, categorias de base, finanças, governança, infraestrutura e o formato SAF.
Desdobramento da sabatina
A sabatina contou com a participação de comunicadores que levantaram questões técnicas e estratégicas sobre o futuro do clube. Amarante apresentou diagnóstico financeiro, linha de ação para contratações e critérios de avaliação de atletas e comissões técnicas, além de falar sobre prazos e negociação com credores. O material disponibilizado traz trechos das respostas mais relevantes, em que o candidato enfatiza a gravidade do endividamento e a necessidade de ajustes rigorosos.
Participantes e agenda
- Participantes da sabatina: Eduardo Gabardo, Maurício Saraiva, Leonardo Oliveira, Nani Chemello, Tomás Hammes e Rafael Diverio.
- Sequência de sabatinas: Nesta quinta-feira, será a vez de Leonardo Aquino participar da sabatina; na sexta-feira falará Roberto Melo.
Finanças: diagnóstico e números
Na avaliação apresentada, Amarante apontou o endividamento como o principal problema do clube. Segundo ele, o Inter aparece como o sétimo clube mais endividado do país, informação que serve como ponto de partida para o plano de ajuste que propõe.
O candidato trouxe números para dimensionar o desequilíbrio orçamentário: orçamento de R$ 600 milhões contra uma entrada efetiva de R$ 400 milhões, com vendas de atletas totalizando R$ 204 milhões em determinado período, dados que, em sua avaliação, evidenciam a necessidade de consolidar e reduzir a dívida.
“O maior problema que o Inter tem é o endividamento dele… Tem mais seis clubes na frente dele, mas isso, em hipótese alguma, ameniza a situação que o Inter passa.” — José Amarante
Sobre a estratégia para enfrentar o passivo, o candidato defendeu a consolidação das dívidas, o conhecimento detalhado de sua composição e a adoção de uma gestão rígida com cortes e redução drástica das despesas, em vez da busca por novo aporte financeiro sem ajuste prévio.
“A forma de enfrentar não é com novo dinheiro. A forma de enfrentar é ter uma gestão muito ríspida, no sentido de fazer cortes e no sentido de reduzir drasticamente a dívida do clube.” — José Amarante
Quanto a prazos, Amarante afirmou que seria possível, nos primeiros cinco meses de gestão, ter um diagnóstico claro do ajuste e que no primeiro ano já haveria condições de mostrar aos credores um plano de saída e negociação.
“Eu acredito que nos cinco primeiros meses de gestão já vai poder dizer, taxar uma data de quando vai estar equilibrado… E no primeiro ano, você já tem condições totais de saber como isso vai acontecer.” — José Amarante
Futebol e política de contratações
Ao tratar do futebol, o candidato criticou a forma atual de investimentos e contratações do clube, afirmando que o Inter tem historicamente contratado mal e investido de maneira equivocada, com reflexos em rebaixamentos sofridos no passado próximo. Em sua visão, a solução passa por apostar na base e em jogadores entre 18 e 23 anos, que possam gerar rendimento esportivo e valor de mercado no futuro.
Amarante defendeu a adoção de critérios técnicos, psicológicos e financeiros rigorosos para avaliar contratações, estabelecendo números e limites claros para que o clube não traga atletas fora de sua capacidade financeira. Entre os elementos citados como essenciais estão: avaliação técnica, estado emocional, histórico de lesões, idade, comportamento e potencial de amadurecimento vindo da base.
“Tem que pensar tecnicamente como se faz isso… Tem que ver a questão primordial, que é a questão do financeiro. Se o valor do atleta que vier já está fora do valor financeiro, ele não vai ser nem examinado.” — José Amarante
Outro ponto reforçado foi a necessidade de profissionalizar o aproveitamento da base e do trabalho de scout, buscando jogadores médios com potencial de valorização, em vez de soluções caras e de curto prazo que não respeitem o teto orçamentário do clube.
“Quando você contrata alguém, você tem que contratar alguém que você possa demitir. Então você não pode contratar amigo. Você não pode ter nenhum dó em relação ao que você está contratando.” — José Amarante
Governança, SAF e gestão
Amarante colocou ênfase em governança, com decisões claras e critérios para manutenção ou desligamento de profissionais. Segundo ele, reduzir a incidência de erros exige processo contínuo de avaliação da comissão técnica e alinhamento com metas e indicadores financeiros e esportivos.
Sobre a estrutura societária do clube, a sabatina tratou também de governança e da discussão em torno da SAF, embora o material disponível apresente mais ênfase nas medidas de ajuste financeiro e na política de contratações do que em detalhes legais ou contratuais da transformação do clube.
Pontos não concluídos e limites do material
Em um dos questionamentos mais sensíveis — sobre como administrar a redução de receitas em caso de rebaixamento —, a resposta presente no material vem incompleta, sem prosseguimento integral do argumento. O registro disponível interrompe a fala do candidato antes de completar o raciocínio sobre esse cenário específico.
Contexto local e atenção nordestina
No mesmo dia em que a sabatina ocorreu, ações públicas relacionadas a esporte e desenvolvimento social foram retomadas no estado de Sergipe: a prefeitura de Aracaju realizou a retomada do Programa Integração AABB Comunidade, após dez anos de interrupção, com entrega de kits esportivos e materiais para crianças e adolescentes. Embora não haja conexão direta com as eleições do clube gaúcho, o episódio reforça a atenção que iniciativas esportivas e de formação recebem no Nordeste, num contexto em que governança e investimento em base são temas recorrentes.
O que está em jogo e próximos passos
O primeiro turno da votação no Conselho Deliberativo está marcado para o dia 9 de novembro. Caso haja necessidade, a eleição aberta aos sócios será no pátio no dia 12 de dezembro. Antes desses atos, a sequência de sabatinas seguirá nos próximos dias com mais candidatos, o que mantém o debate público sobre finanças, gestão e futebol em evidência.
Nos próximos capítulos dessa disputa, o que seguirá sendo observado por torcedores e conselheiros são a consistência dos diagnósticos financeiros, a viabilidade das propostas de negociação com credores e a clareza dos critérios técnicos para contratações. Será nesses pontos que as propostas poderão ser confrontadas e avaliadas antes da votação do Conselho e, se necessário, nas urnas dos sócios.
Como próximo passo factual na agenda eleitoral do clube, estarão as sabatinas com os demais candidatos e a apresentação de planos detalhados de gestão para a assembleia de novembro. Acompanhar as propostas e exigir números precisos e cronogramas será determinante para que o eleitor do clube avalie opções com parâmetros técnicos e financeiros claros.

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