Foto: Globo — uso em caráter informativo.
Rebeca Andrade fechou o salto e classificou o Brasil à final por equipes do Mundial em Roterdã. Flávia brilhou e o time superou adversárias na reta final, apesar de oscilações por aparelho.
Coube a Rebeca Andrade saltar para encaminhar a vaga do Brasil na final por equipes do Mundial de Ginástica Artística, em Roterdã. A campeã olímpica do salto teve a responsabilidade da última nota e cumpriu o papel com segurança: ao assumir a liderança do salto, Rebeca ajudou o time verde-amarelo a superar adversárias na reta final e entrar na zona de classificação para a decisão.
Desenvolvimento: avaliação por aparelho e placares
O dia de classificatórias teve variações de rendimento por aparelho, com sinais positivos e alguns tropeços. Nas barras assimétricas, que historicamente é um ponto sensível para a equipe brasileira, a sequência foi a seguinte: Thais Fidelis abriu com boa forma até a saída e registrou 12,200 (5,0); Sophia Weisberg teve duas quedas e somou 10,033 (4,8), nota que foi descartada; Lorrane Oliveira executou praticamente sem erros e marcou 13,700 (5,6); e Flávia Saraiva evitou a queda apesar de dois passos na chegada, com 13,300 (5.6). Assim, o Brasil atingiu 39,200 pontos nas barras.
Na trave, Thais optou por priorizar a execução e deixou de ligar alguns elementos, recebendo 13,500 (5,3). Lorrane teve desequilíbrios médios e precisou colocar a mão na trave, ficando com 12,466 (5,5). Flávia Saraiva simplificou a sequência acrobática para reduzir riscos e foi precisa: 14,400 (6,1), liderança provisória do aparelho. Rebeca Andrade retornou ao Mundial e vinha muito bem até sofrer queda em uma acrobacia, mas ainda assim registrou 13,033 (5,5). O somatório do Brasil na trave foi de 40,933, colocando a equipe entre as melhores do aparelho.
No solo, Thais abriu com uma boa apresentação e recebeu 12,733 (5,3). Sophia apresentou maior calma e pisou fora do tablado em uma acrobacia, perdendo três décimos e ficando com 12,566 (5,3). Lorrane manteve a confiança, executou um Dos Santos I e somou 13,133. Flávia quase cravou sua série e somou 12,866 (5,4). O Brasil registrou 38,732 no solo.
No salto, a rotação trouxe marcas distintas: Lorrane marcou 12,866; Sophia sofreu queda e teve 12,766. Rebeca, como destacada especialista, foi para a liderança do salto com a última nota e ajudou o Brasil a subir colocações na classificatória.
Equipe brasileira
- Sophia Weisberg
- Lorrane Oliveira
- Gabriela Bouças
- Thais Fidelis
- Rebeca Andrade
- Flávia Saraiva
O que ainda está em disputa e próximos passos
A classificatória ainda terá a apresentação de um último grupo de ginastas no encerramento desta segunda-feira, com as equipes da China e da Coreia do Sul passando por aparelhos após o Brasil. Até o momento, a única final individual confirmada é a do salto para Rebeca Andrade, já que apenas três ginastas do último grupo terão a possibilidade de tentar dois saltos e alcançar a decisão do aparelho.
Mesmo com resultados positivos em trave e salto, a equipe brasileira terá de aguardar o encerramento das classificatórias para a definição completa das vagas por aparelhos e da classificação por equipes. A nota de Rebeca no salto foi decisiva para colocar o time em posição de disputa, mas os resultados finais só estarão fechados após as apresentações do grupo que ainda falta competir.
Contexto e panorama técnico
O retorno de Rebeca Andrade às competições do Mundial tem peso simbólico e técnico: ela voltou a competir no Mundial de Ginástica nesta segunda-feira (19), em Roterdã, em sua primeira grande apresentação internacional desde os Jogos Olímpicos de Paris. Rebeca é, na história olímpica do país, a maior medalhista brasileira nos Jogos, com seis pódios — elemento que adiciona atenção às suas performances como especialista, sobretudo no salto e na trave.
A combinação de execuções seguras e escolhas estratégicas de dificuldade ficou visível nas apresentações brasileiras. Em aparelhos como a trave, a opção de Flávia por reduzir a dificuldade em prol da precisão rendeu a liderança provisória do aparelho; em contraste, quedas e desequilíbrios pontuaram em barras e no salto, evidenciando áreas que a equipe precisará ajustar para ambicionar as finais por equipes e por aparelhos.
Do ponto de vista classificatório, o Mundial de Roterdã seguirá a lógica de definir vagas tanto por equipe quanto por aparelho nas próximas horas. A classificação por equipes depende não apenas de uma ou duas notas de destaque, mas da soma das três melhores execuções em cada aparelho dentro da rotação. Assim, o desempenho de cada ginasta em cada aparelho será determinante até o encerramento das classificatórias.
Fecho: o que vem a seguir
O próximo passo da história será o encerramento da fase classificatória com as equipes da China e da Coreia do Sul, que vão definir as vagas remanescentes para as finais por equipes e por aparelhos. Enquanto isso, o Brasil aguarda a confirmação das finais, com atenção especial à vaga assegurada no salto por Rebeca Andrade e à disputa em trave, onde a equipe apresentou um dos melhores somatórios.
Após o fechamento das classificatórias, estarão definidos os confrontos das finais, e a equipe brasileira terá a medida exata do que buscar nas finais: manter a consistência em aparelhos como a trave e o salto e reduzir erros em barras e solo para buscar pódios individuais e uma final por equipes mais tranquila.

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