Foto: Globo — uso em caráter informativo.
Pela primeira vez o Brasil terá seleção no Campeonato Pan-Americano de Capoeira. João Augusto (Varginha) e Laura Fernandes (Lavras) estão entre os 40 convocados que vão competir em Lima de 11 a 13 de dezembro.
Pela primeira vez na história, o Brasil vai participar do Campeonato Pan-Americano de Capoeira Competitiva, e a delegação nacional terá representantes do Sul de Minas: o atleta João Augusto de Oliveira Neto, de Varginha, e a atleta Laura Fernandes de Moraes, de Lavras. Ao todo, 40 atletas foram convocados para formar a primeira seleção brasileira da modalidade, que competirá de 11 a 13 de dezembro em Lima, no Peru.
Desenvolvimento
A competição reunirá representantes de dez países e abrirá uma nova frente de participação internacional para a capoeira competitiva. A delegação brasileira será composta por 40 atletas distribuídos nas categorias masculina, feminina e por faixa etária, além de 12 integrantes da comissão técnica, segundo as informações sobre a convocação.
Dos 40 selecionados, oito são de Minas Gerais, com destaque para dois nomes do Sul do estado: João Augusto, natural de Varginha, e Laura Fernandes, de Lavras. João, de 35 anos, integra a seleção brasileira como atleta e vê na convocação um reconhecimento do esforço pessoal e da responsabilidade de representar o país em uma arte considerada genuinamente brasileira.
“É uma grande emoção, porém, além da emoção, a gente traz essa responsabilidade de representar o Brasil em uma competição da única arte genuinamente brasileira, que é a capoeira. Então, integrar a seleção brasileira de capoeira é o sentimento de dever cumprido, é o sentimento de que a gente está sendo reconhecido.”
Varginha terá ainda um representante na comissão técnica: Osvaldo Henry. Segundo Henry, o papel dele na delegação será orientar os atletas durante a preparação e contribuir para o desempenho da equipe na competição, atuando nos ajustes técnicos e no suporte aos competidores.
Laura Fernandes, que treina no Clube Capoeira Tradição, também exteriorizou suas expectativas em relação ao Pan-Americano. Ela pretende buscar um lugar no pódio, mas ressaltou a importância de viver a experiência coletiva ao lado dos colegas de modalidade.
“Minha expectativa para o Pan-Americano é trazer o pódio para casa, mas também viver cada experiência, cada momento, cada segundo intensamente com os meus colegas, parceiros e amigos de capoeira.”
A organização da participação brasileira aponta que o convite para formar a primeira seleção nacional de capoeira competitiva partiu da coordenação do Pan-Americano. Além da visibilidade internacional, a presença da seleção brasileira deverá abrir novas oportunidades para atletas que conciliam a prática esportiva com a preservação de uma tradição cultural.
Contexto
A capoeira é reconhecida como expressão cultural afro-brasileira que articula luta, dança e música. Em 2014, a roda de capoeira foi inscrita como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco. Em Varginha, a prática também tem reconhecimento local como patrimônio cultural do município.
Na cidade de Varginha, a Associação Casa da Capoeira atua há 15 anos na formação de praticantes e desenvolve um trabalho de base que atende cerca de 300 pessoas — entre crianças, adolescentes, adultos e idosos — em parceria com outras instituições. Além das atividades na sede, a associação leva projetos para locais com menor acesso às aulas, com a proposta de ampliar o contato com a capoeira e oferecer oportunidades de aprendizado por meio da atividade cultural e esportiva.
Um exemplo do trabalho de base é o jovem praticante Matheus Felipe Giambelli, de 12 anos, que treina capoeira desde os 7 e sonha em seguir carreira na modalidade.
“Meu sonho é me tornar conhecido pela capoeira, me tornar mestre algum dia e ter as cordas mais avançadas.”
No ano passado, atletas brasileiros participaram de um campeonato Sul-Americano, com resultados considerados positivos pela entidade responsável pela confederação nacional. Neste ano, a organização do Pan-Americano convidou o Brasil para formar a primeira seleção nacional de capoeira competitiva, gesto que foi interpretado como um avanço para a modalidade no cenário internacional.
As primeiras participações em torneios continentais e sul-americanos vinham sendo usadas como parâmetro para consolidar a capoeira também como esporte de competição, além de reforçar seu papel como prática cultural. A presença brasileira no Pan-Americano tende a ampliar ainda mais essa visibilidade, integrando atletas de diferentes regiões do país, inclusive do Sul de Minas.
Fecho
Com a seleção formada e a convocação confirmada, a preparação segue em foco até o início da disputa, que será realizada de 11 a 13 de dezembro em Lima. A expectativa é de que a experiência internacional fortaleça a trajetória dos atletas e amplie oportunidades para professores, técnicos e centros formadores, sobretudo nas regiões que vêm investindo na capoeira como prática social e cultural.
O próximo passo da história será acompanhar a fase final de preparação da delegação brasileira e o desempenho dos representantes nacionais em Lima, quando a modalidade terá pela primeira vez um Campeonato Pan-Americano de Capoeira Competitiva com seleção brasileira em ação.
Além do resultado em si, a participação será observada pelo impacto que pode gerar na valorização institucional da capoeira como esporte e patrimônio cultural, e no estímulo a projetos locais que promovem inclusão social por meio da arte e do movimento.

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