Foto: Globo — uso em caráter informativo.
Bandeirante retomou o feminino e treina cerca de 10 meninas, com meta de criar sub-15 e sub-17 para formação regional. Mirassol também ampliou estrutura e calendário da modalidade nos últimos anos.
O Bandeirante Esporte Clube, de Birigui, reativou e vem fortalecendo seu projeto de futebol feminino com foco na formação de atletas, enquanto clubes da região, como o Mirassol, também ampliaram estrutura na modalidade nos últimos anos. A iniciativa do BEC mira a criação de categorias de base organizadas e a oferta de calendário para meninas da cidade e da região.
Desenvolvimento
O projeto feminino do Bandeirante tem cinco anos e foi retomado recentemente. Atualmente, cerca de 10 meninas participam dos treinamentos, e o clube trabalha para estruturar as categorias sub-15 e sub-17. A proposta, segundo a comissão técnica, é priorizar a formação e oferecer às atletas condições para evoluir tecnicamente e psicologicamente.
“O esporte em si é importante para o desenvolvimento, não só para ser uma atleta profissional, mas no desenvolvimento como pessoa, físico, tático e mental.”
— Letícia Caputte, técnica das categorias sub-15 e sub-17 do Bandeirante.
Letícia afirma que a meta principal é formar atletas e, quando o time estiver consolidado, participar de competições oficiais representando o clube. O trabalho tem ainda um caráter social e de escolaridade, na avaliação da técnica, que destaca o ambiente de crescimento para adolescentes.
“Desde pequenina o futebol sempre fez parte da minha vida, sempre insisti, nunca desisti do futebol. Quero continuar treinando e seguir carreira, que é o meu sonho.”
— Yasmin Souza, 16 anos, aluna do projeto do Bandeirante, que começou a treinar no clube aos 13.
Aos 14 anos, Mirela Macedo também relata a diferença de treinar em um espaço com outras meninas após ter iniciado em escolinhas mistas:
“Desde nova comecei na escolinha sempre com os meninos, e era aquela disputa. Com o tempo foram surgindo essas oportunidades de treinar com outras meninas, como é o caso aqui do BEC.”
O Bandeirante ainda não disputa competições oficiais de base da Federação Paulista, mas busca oferecer rotina de treinos e organizar as categorias para, no futuro, entrar no calendário federativo.
Mirassol e o efeito do calendário e das exigências internacionais
Em 2026, o Mirassol estruturou um departamento de futebol feminino com equipe profissional e categoria sub-15. A criação desse departamento ocorreu após o clube se classificar para a Copa Libertadores, o que gerou a necessidade de cumprir exigências da CONMEBOL relacionadas ao desenvolvimento da modalidade.
“Antes de a gente pensar em criar uma categoria, que são as próximas, pensando em uma transição, o sub-17 e 20, que é um movimento natural, a gente precisa primeiramente estruturar, além de consolidar a categoria dentro do departamento de futebol feminino. A atleta precisa olhar para frente e saber que, um dia, ela vai ter a oportunidade de vestir essa camisa.”
— Rafaela Esteves, executiva de futebol feminino do Mirassol.
Além do movimento institucional do Mirassol, o time masculino do clube também teve participação em jogos recentes que elevaram o perfil do clube na mídia e junto a seus torcedores: no dia 16/10/2026, o Mirassol venceu o Internacional por 2 a 0 no Maião, em partida da 31ª rodada do Campeonato Brasileiro, alcançando a 14ª posição com 36 pontos, quatro pontos à frente do Internacional, que estava na zona de rebaixamento naquele momento.
Competições de base e panorama estadual
A Federação Paulista incluiu, em 2026, o Campeonato Paulista Feminino Sub-13, competição inédita que envolve 8 equipes e amplia o calendário de formação. As participantes do Sub-13 são:
- Corinthians
- Grêmio Osasco Audax
- São Bento
- Sesi Rio Claro
- Centro Olímpico
- Ferroviária
- São Paulo
- Sfera
A diretora executiva de futebol feminino da federação reforça o objetivo de ampliar a presença de clubes nas diversas regiões do estado e utiliza festivais como ferramenta de aproximação entre projetos locais e competições organizadas.
“A gente deseja ver cada vez mais a presença de clubes nas regiões mais variadas e estratégicas do estado de São Paulo.”
— Kin Saito, diretora executiva de futebol feminino da FPF.
Situação nos demais clubes do Noroeste Paulista
O investimento no futebol feminino varia entre os clubes da região. Há casos com projetos em andamento e outros em fase de planejamento ou sem iniciativa formal. Entre as situações citadas:
- Araçatuba: planos para desenvolver a base, com expectativa de implantação no segundo semestre de 2027 (fase de planejamento).
- América: reconhece a importância da modalidade, mas prioriza a estruturação do futebol profissional e apoia a Realidade Jovem, de São José do Rio Preto.
- Penapolense: sem projeto para o futebol feminino no momento.
- Votuporanguense: disputou o Paulista Sub-17 em 2025, mas não participou de competições em 2026 e atualmente não possui equipe feminina.
Esse quadro demonstra que a expansão do futebol feminino no interior paulista ocorre de forma desigual, dependendo de recursos, prioridades e oportunidades locais.
O que está em jogo e próximos passos
O principal desafio para clubes como o Bandeirante é consolidar estrutura e oferecer calendário competitivo às atletas. A existência de categorias organizadas e competições oficiais, como o novo Sub-13, cria incentivo para que mais clubes iniciem e mantenham projetos de base. Para as meninas já inseridas nos treinamentos, a primeira necessidade é ter onde jogar; para os clubes, o desafio é transformar iniciativas pontuais em programas sustentáveis e integrados ao calendário estadual.
O Bandeirante segue trabalhando para montar as categorias sub-15 e sub-17 e buscar, no futuro, participar de competições oficiais da federação. Enquanto isso, as atletas do projeto continuam treinando com a perspectiva de desenvolver carreira e representar o clube quando as oportunidades competitivas se abrirem.
Nas próximas etapas, acompanhar a evolução dos clubes do Noroeste paulista — se manterão seus planos, quando inscreverão equipes em torneios oficiais e se conseguirão garantir apoio técnico e financeiro — será determinante para medir o real avanço do futebol feminino na região.

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