Foto: Globo — uso em caráter informativo.
A CBV deixou a inscrição de Tifanny pendente enquanto homologava as colegas, e o clube recorreu ao Judiciário para assegurar sua escalação contra o Praia Clube nesta sexta. A ação também visa garantir sua participação na Superliga, que começa na próxima semana.
Tifanny Abreu e o Osasco recorreram ao Judiciário para assegurar a participação da jogadora na Supercopa, que será disputada na noite desta sexta-feira (16) contra o Praia Clube, e também na Superliga, cuja temporada começa na próxima semana. A movimentação judicial ocorre após a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) deixar a inscrição da atleta pendente, enquanto as demais atletas do Osasco tiveram suas inscrições homologadas no sistema.
Detalhes do caso e sequência de decisões
No final da tarde da última quinta-feira, as inscrições das atletas do Osasco Vôlei foram aceitas pela CBV, com exceção de Tifanny, cuja inscrição permaneceu pendente. Diante dessa situação, a assessoria jurídica da atleta e do clube acionou a Justiça Desportiva com um mandado de garantia e pediu liminar para que ela possa disputar a Supercopa e, na sequência, a Superliga, enquanto o processo tramita para análise definitiva pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).
No fim da manhã desta sexta-feira, a Justiça Desportiva negou a liminar solicitada. Após essa decisão, a assessoria de Tifanny ingressou com um pedido de liminar na Justiça comum, buscando assegurar o direito de a jogadora atuar nas competições até que haja uma definição final pelas instâncias desportivas competentes.
A Constituição Federal diz que uma nova norma não pode revogar o direito que ela tem de exercer sua profissão, o que ela vinha fazendo há tantos anos. Ela participou das competições que garantiram o lugar do Osasco na Supercopa, diante disso, é direito da atleta que contribuiu com a campanha estar disputando o campeonato
O trecho acima foi dito pelo advogado que representa a jogadora, no posicionamento público divulgado pela equipe jurídica. A fala sustenta o pedido de garantia diante da mudança de regra e do impacto direto sobre a continuidade da carreira de Tifanny.
O que se sabe sobre a regra da CBV e a posição da jogadora
A CBV anunciou, em agosto, a adoção das diretrizes de elegibilidade do Comitê Olímpico Internacional (COI) para a participação de atletas na categoria feminina. Pela norma anunciada, a comprovação de elegibilidade envolve a apresentação de exame genético com resultado negativo para o gene SRY, associado ao desenvolvimento masculino. A entidade deixou claro que seguirá as novas regras do COI, segundo pronunciamento do presidente da confederação no lançamento da Superliga.
Tifanny, de 41 anos, é apontada como a primeira atleta transgênero a atuar na elite do vôlei brasileiro. Ela disputa a Superliga desde 2017 e está em sua sexta temporada pelo Osasco. A mudança de regra afetou diretamente sua possibilidade de atuar: a atleta participou do lançamento da Superliga 2026/27 representando o Osasco, mas já expressou preocupação pública com a nova política de elegibilidade e cogitou buscar remédios judiciais caso fosse impedida de jogar.
Quero terminar a minha carreira de atletas com o pé direito, digna de uma aposentadoria, digna de falar eu comecei, eu terminei, eu inspirei e agora vou começar a ajudar outras pessoas fora de quadra. Não assim expulsa, não assim proibida, jogada na sarjeta como se nada tivesse acontecido. Eu espero que algo possa mudar. Se não for uma boa conversa, de bom acordo, que seja na Justiça. E que a justiça possa estar do meu lado, porque não faço nada de errado, só estou trabalhando
Em outro pronunciamento durante o evento de lançamento, Tifanny reafirmou a determinação de lutar para permanecer em atividade e de ter a oportunidade de concluir a carreira nas quadras. Ela disse ainda que recebeu apoio de colegas e de integrantes do universo do voleibol no lançamento da Superliga, mesmo sem ter certeza sobre sua participação nos jogos.
Infelizmente vim em uma época não tão favorável, mas aqui estou presente para mostrar que eu existo, que eu também tenho direito de estar aqui, de estar jogando essa Superliga. Fui muito bem recebida, todos me dando apoio em um momento tão difícil. Recebi esse apoio como muito amor e muito carinho. Quero terminar minha temporada. Eu não fiquei dez anos à toa. Foram dez anos lindos, que eu inspirei muitas pessoas, muitos atletas que hoje estão dentro de quadra, atletas que me viram jogar e compartilham a quadra comigo e dizem que fui inspiração dela
O caso tem repercutido no ambiente do voleibol nacional: jogadoras e lideranças se manifestaram em diferentes momentos, alguns em apoio à manutenção de Tifanny na competição. A capitã da seleção feminina, por exemplo, fez um discurso criticando a decisão da confederação e defendendo a permanência da atleta na Superliga antes de uma disputa do Pré-Olímpico.
Contexto esportivo e jurídico
Do ponto de vista esportivo, está em jogo a participação de uma atleta que contribuiu nas temporadas anteriores e que integrou a equipe que garantiu ao Osasco vagas em competições nacionais. A Supercopa será disputada na noite desta sexta-feira (16) diante do Praia Clube; a Superliga tem início previsto para a próxima semana. Enquanto a questão de elegibilidade segue em discussão, a indefinição afeta a composição do elenco do Osasco para confrontos imediatos.
Do ponto de vista jurídico, a estratégia adotada é dupla: tentativa inicial na Justiça Desportiva, que teve indeferida a liminar, seguida por ação na Justiça comum. Paralelamente, o trâmite disciplinar no âmbito do STJD foi indicado como instância que fará a análise definitiva do caso. A medida cautelar solicitada busca justamente a manutenção temporária do direito de competir até o julgamento final.
Próximos passos
A nova etapa é a tramitação do pedido de liminar na Justiça comum e a expectativa por decisões que possam definir a presença ou não de Tifanny na Supercopa de hoje e nas rodadas iniciais da Superliga na semana seguinte. Além disso, o processo deve seguir para avaliação no STJD, onde será tomada a decisão de mérito sobre a elegibilidade segundo as normas adotadas pela CBV. A defesa da atleta e o clube permanecem mobilizados enquanto o caso atravessa as instâncias judiciais e desportivas.
A cobertura acompanhará as movimentações judiciais e as escalações para a Supercopa, assim como os desdobramentos no STJD, que definirão o futuro imediato de Tifanny nas competições nacionais.

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