Foto: Globo — uso em caráter informativo.
Clube confirmou o pagamento de R$5,5 milhões à equipe de Petit e teve o registro de atletas liberado pela FIFA. O valor, pago com recursos próprios, pressionou o caixa ao longo de 2026.
O Cuiabá quitou integralmente a dívida de aproximadamente R$ 5,5 milhões referente à condenação determinada pela FIFA contra o clube em relação ao ex-técnico Petit e sua comissão técnica. Em nota oficial divulgada nesta quinta-feira, a diretoria confirmou o pagamento e informou que a quitação encerrou a restrição de registro de atletas imposta pela entidade internacional.
Detalhes do pagamento e impacto financeiro
Segundo o comunicado, o montante foi pago com recursos próprios do clube e comprometeu de forma significativa o caixa da instituição ao longo de 2026. A nota destacou que esse dinheiro poderia ter sido destinado ao elenco profissional, às categorias de base e à infraestrutura do clube.
Com a regularização do débito relacionado a Petit, o Cuiabá informou que a medida imposta pela FIFA — o chamado transfer ban que afetava o registro de atletas — foi encerrada. A administração do clube aproveitou a manifestação pública para reiterar reclamações sobre valores que diz ter a receber de outros clubes do futebol brasileiro.
Retrospecto do caso
O caso envolve a saída do treinador português Petit do comando técnico do Cuiabá em agosto de 2024. Na ocasião, o treinador deixou o cargo após uma reunião com a diretoria; o contrato tinha validade até 31 de dezembro de 2025. Em agosto deste ano o clube havia confirmado que sofrera um transfer ban por causa da dívida.
“O Cuiabá não teria chegado a essa situação se não fosse os calotes que sofremos do Corinthians, do Santos, do Grêmio e do Atlético-MG. Como que um clube que tem mais de R$ 42 milhões a receber passa por essa situação? Vou dar um jeito de pagar”
A declaração acima foi atribuída, na época, ao presidente do clube, que relacionou a falta de recebimentos de negociações com o agravamento do problema financeiro e anunciou a intenção de quitar a dívida.
Negociações e clubes citados
- Corinthians — citada em relação à transferência do volante Raniele;
- Santos — citado pela negociação do zagueiro Joaquim Henrique, posteriormente vendido ao Tigres, do México;
- Grêmio — citado em conexão com a operação envolvendo o meia Pepê;
- Atlético-MG — citado entre os clubes que, segundo o Cuiabá, deixaram pendências financeiras.
Na nota, o clube afirmou possuir cerca de R$ 45 milhões a receber por negociações já concluídas e não pagas, sem detalhar quais transações compõem esse montante nem os valores pendentes em cada uma delas.
Críticas às regras e pedido de revisão
Além de comunicar o pagamento, o Cuiabá manifestou críticas ao modelo de aplicação das regras referentes às rescisões antecipadas de contratos de treinadores no Brasil. O clube argumentou que a legislação desportiva brasileira exige o pagamento integral dos salários restantes do vínculo no caso de rescisões, sem considerar o tempo de serviço prestado ou as circunstâncias do encerramento contratual.
Na avaliação do clube, esse dispositivo pode gerar obrigações financeiras elevadas e comprometer seriamente o planejamento orçamentário das equipes, sobretudo quando há valores a receber resultantes de vendas de atletas que permanecem pendentes. Por isso, o Cuiabá defendeu a revisão desse modelo junto às instâncias competentes e às entidades do futebol.
O comunicado também cobrou coerência na aplicação das regras de fair play financeiro e pediu que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e os órgãos de controle adotem o mesmo rigor na cobrança dos débitos entre clubes, buscando igualdade de tratamento em situações semelhantes.
O que a nota afirmou e o que não foi detalhado
Na sua manifestação, o clube informou que cumpriu a decisão da FIFA e que o pagamento foi realizado com recursos próprios. A nota ressaltou o impacto financeiro da quitação para o exercício de 2026 e reafirmou que a instituição seguirá concentrada nas competições, na formação de atletas e no planejamento esportivo.
Por outro lado, a nota não detalhou a composição dos cerca de R$ 45 milhões que o clube diz ter a receber, nem ofereceu calendário ou estimativas sobre quando esses recursos poderão ser efetivamente recebidos. Também não houve, no comunicado, especificação dos valores pendentes por cada operação citada.
Contexto e possíveis desdobramentos
Transfer bans por decisões de órgãos internacionais como a FIFA costumam impedir que clubes registrem atletas enquanto os débitos não são regularizados, afetando a capacidade de reforçar elenco e concluir contratações em prazos determinados pelas janelas de transferências. Ao quitar a dívida com Petit, o Cuiabá eliminou um obstáculo administrativo importante, mas manteve a cobrança pública das pendências que atribui a outros clubes.
O debate levantado pelo clube sobre a forma de cálculo e aplicação das obrigações em rescisões contratuais coloca em discussão a necessidade de mecanismos que equilibrem a proteção dos direitos trabalhistas e os efeitos financeiros de encerramentos antecipados de contratos no planejamento esportivo dos clubes. A cobrança por maior rigor na fiscalização de débitos entre equipes também pode gerar efeitos em procedimentos internos da CBF e em eventuais análises de fair play financeiro.
Com a quitação anunciada nesta quinta-feira e a retirada da restrição de registro, o foco do clube, segundo a nota, seguirá voltado para o trabalho esportivo e administrativo interno, ao mesmo tempo em que a diretoria seguirá buscando medidas para recuperar os valores que considera devidos por terceiros.
O próximo passo da história será acompanhar se as entidades responsáveis responderão aos pedidos de revisão das regras e se serão adotadas medidas efetivas para cobrar e recuperar os montantes que o Cuiabá afirma ter a receber. Enquanto isso, o clube informou que dará sequência ao planejamento de 2026 com as limitações financeiras resultantes do pagamento recentemente efetuado.

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