Foto: Globo — uso em caráter informativo.
Em sua primeira entrevista pública após a demissão, o treinador voltou ao Uruguai e falou à rádio Carve Deportiva. Pezzolano criticou a pressão por resultados no Brasil e comentou a situação financeira do Internacional.
Demitido do Internacional há pouco mais de três semanas, Paulo Pezzolano voltou ao Uruguai e conversou com a imprensa local nesta terça-feira, na sua primeira entrevista pública desde a saída do clube. O treinador uruguaio comentou a passagem pelo Beira-Rio, a situação financeira do clube e a pressão sobre os técnicos no futebol brasileiro.
Desenvolvimento
Pezzolano foi desligado do comando do Internacional depois de uma sequência ruim de resultados no Campeonato Brasileiro, que deixou a equipe na zona de rebaixamento. De volta ao seu país, ele falou à rádio Carve Deportiva e destacou como a relação com a torcida no Brasil costuma ser polarizada: ou o treinador é visto como uma espécie de ‘Deus’ ou como ‘o pior’.
“Saímos de um clube gigante que está passando um momento muito duro, é o ano mais complicado economicamente, com muitas dívidas, muitos problemas que não se pôde contratar durante o ano. Para o torcedor no Brasil ou você é Deus ou é o pior. Não tivemos resultados que podiam nos deixar um pouco melhor, estávamos embaixo na tabela. Mas na verdade, sinto um carinho tremendo das pessoas. Essa é a felicidade que resta.”
O técnico também abordou diretamente a crise econômica que atingiu o clube, citando transfer bans e dificuldades com vencimentos de atletas no último ano da gestão de Alessandro Barcellos. Segundo Pezzolano, essas restrições afetaram a capacidade do Internacional de reforçar o elenco e, consequentemente, o desempenho na competição nacional.
“Temas econômicos vêm de anos, como uma bola de neve que se formou. Muito dinheiro se foi e custou repor. Te bloqueiam com transfer ban, não se pode contratar, tiveram muitos. Então, não havia dinheiro, ano de eleições, é um ano diferente em um clube gigante como Inter. Isso no futebol brasileiro interfere muito, clubes investem muito e se nota quando não pode contratar ao nível que o Inter deveria contratar.”
Pezzolano avaliou também o trabalho cotidiano na equipe e agradeceu a pessoas da comissão e da direção com quem conviveu no Beira-Rio. Ele citou nominalmente o presidente da época, o técnico Abel Braga e Fabinho Soldado como figuras com quem manteve relação profissional e de gratidão.
“O trabalho no dia a dia foi espetacular e vou estar agradecido sempre com o presidente, com Abel Braga, com Fabinho Soldado. Uma lástima que futebol não é merecimento, mas merecia ter muitos mais pontos. Não é um treinador que está dizendo, mas as estatísticas. Inter era para estar em quinto ou sexto na tabela, mas estávamos abaixo.”
Contexto e retrospecto
O cenário descrito por Pezzolano coincide com os problemas administrativos e financeiros que o clube enfrenta publicamente: restrições de transferência (transfer bans), dificuldades salariais e um ambiente político interno marcado por eleições. Esses fatores, na avaliação do técnico, comprometeram a capacidade de montar um elenco competitivo ao longo da temporada e contribuíram para a campanha abaixo do esperado no Campeonato Brasileiro.
Embora Pezzolano tenha destacado que a equipe ‘estava embaixo na tabela’, ele também apontou que, pelas estatísticas e pelo trabalho desenvolvido, o Internacional deveria ocupar posições mais altas, citando quinto ou sexto lugar como referência de desempenho almejado. O depoimento traz um diagnóstico que combina resultados dentro de campo e limitações fora dele.
Do ponto de vista da carreira do treinador, a demissão é mais um episódio na rotatividade alta de técnicos no futebol brasileiro, onde resultados imediatos costumam determinar a continuidade de um profissional. Pezzolano comentou exatamente essa volatilidade e a exposição intensa que acompanha o cargo de treinador no país.
Próximos passos
Livre no mercado, Pezzolano disse estar tranquilo para escolher o próximo desafio e confirmou ter recebido sondagens, inclusive do Brasil, mas que não houve negociações formais até o momento. Ele valorizou o carinho demonstrado por torcedores quando anunciou a saída, destacando mensagens de apoio que, segundo ele, exaltaram seu trabalho mesmo em um momento difícil para o clube.
“O grande aprendizado foi o carinho que as pessoas me deram. Quando fiz o post, que um amigo faz, que administra minhas redes, espera outro tipo de resposta. Mas não, disseram ‘você vai voltar’, ‘não era o ano para você’, ‘o trabalho foi espetacular’, isso não é normal para um clube gigante. O mais lindo foi que, apesar dos resultados, há lugares no mundo que te valorizam a maneira de trabalhar.”
O próximo capítulo da história de Pezzolano dependerá das ofertas que surgirem e da estratégia que ele quiser adotar no mercado. Enquanto isso, o clube que o demitiu segue lidando com questões internas e com a pressão por resultados imediatos no Campeonato Brasileiro. A declaração pública do treinador em território uruguaio marca um momento de transição: de um projeto interrompido no Brasil para uma busca por novas oportunidades, possivelmente com sondagens já registradas, mas sem acordos consumados.
Para torcedores e analistas, ficam as avaliações sobre o peso das limitações financeiras na performance esportiva e a tradicional incerteza do cargo de treinador no futebol brasileiro — um ambiente onde os fatores fora de campo podem alterar drasticamente as expectativas e o destino de uma temporada.
Publicado em 13/10/2026.

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