Foto: Getty Images — uso em caráter informativo.
Gabriel Bortoleto teve abandono precoce no circuito de Marina Bay: problema no câmbio tirou-o da prova após sete voltas. A Audi comemorou os 3 pontos de Nico Hülkenberg, que terminou em 8º.
Gabriel Bortoleto teve sua corrida no GP de Singapura interrompida de forma prematura: o piloto brasileiro abandonou a prova após completar apenas sete voltas por conta de um problema no câmbio do seu Audi. Apesar do revés para Bortoleto, a equipe celebrou a pontuação trazida por Nico Hülkenberg, que cruzou a linha de chegada na 8ª posição e somou 3 pontos para o Mundial.
Desenvolvimento
O Grande Prêmio de Singapura, disputado no circuito de rua de Marina Bay neste domingo, teve um desfecho frustrante para o jovem brasileiro. O abandono de Bortoleto ocorreu ainda nas voltas iniciais da corrida, quando um problema no conjunto de transmissão impediu a continuidade do carro. A equipe, por sua vez, conseguiu minimizar o impacto no resultado do fim de semana graças ao resultado de Hülkenberg, que entregou o ponto necessário para manter a marcação da escuderia no campeonato.
Ao detalhar o histórico da temporada, Bortoleto vinha vivendo um começo de ano acima do esperado para um piloto em seu primeiro ano com a fabricante. O brasileiro pontuou logo na estreia, ao terminar 9º no GP da Austrália, em Melbourne, e acumulou presenças no Q3, figurando entre os dez melhores no grid em várias etapas. Na primeira parte do campeonato, ele somou 10 pontos, incluindo o melhor resultado da equipe até então: o 8º lugar em Spa-Francorchamps. Hülkenberg igualou esse 8º lugar em Baku e repetiu a colocação agora em Singapura.
Desde a pausa de verão da Fórmula 1, em julho, Bortoleto atravessava um jejum de pontos no Mundial. O abandono em Marina Bay, portanto, interrompeu uma sequência de ambições de recuperação imediata nas etapas seguintes.
“Tenho meus motivos para elogiar a Audi. Eu trabalho com engenheiros incríveis, mecânicos incríveis, que trabalham dia e noite pra entregarem um bom carro pra mim, infelizmente a gente sofre com alguns problemas de consistência do nosso carro. A gente tem os nossos torcedores, pelos quais sou extremamente grato, mas ficar expondo o problema interno nosso não vai resolver os nossas questões e só vão trazer críticas e coisas negativas pra equipe. Acho que não é culpa da equipe ou culpa minha quando um erra: é a mesma coisa para os dois, a gente é um time. Não tem que sair apontando o dedo.”
Na sequência da entrevista após a prova, Bortoleto reconheceu a frustração pessoal com o desfecho em Singapura, mas reforçou a confiança no trabalho coletivo do time e na direção do projeto. O piloto também descreveu o episódio como parte do processo de crescimento da equipe na categoria.
“Tanto da parte da Audi quanto da minha parte, a gente só tem que continuar fazendo o nosso trabalho, eu tenho total confiança na equipe. Em dias como hoje, é lógico que estou chateado, eu vou embora, vou pegar um voo de sei lá quantas horas, vou continuar pensando nisso, mas fazem parte de um crescimento de uma equipe e do meu crescimento como piloto também. Se Deus quiser, daqui 5, 10 anos eu vou poder olhar para tudo isso pra trás e falar, olha tudo que a gente construiu…”
Contexto
O resultado em Singapura insere-se em um cenário mais amplo para a Audi na Fórmula 1: é o primeiro ano da montadora como operadora plena na categoria, após a transição do time que ainda corria sob o nome anterior. O objetivo declarado do projeto segue ambicioso, com a meta de lutar por vitórias e títulos até a temporada de 2030. A montadora tem buscado consistência e desenvolvimento técnico ao longo da temporada, mas sofreu com quebras e problemas mecânicos que afetaram a pontuação dos dois carros em alguns fins de semana.
Bortoleto ressaltou também o papel do responsável pelo projeto dentro da equipe: Mattia Binotto foi mencionado como peça-chave no convite e na aposta na trajetória do jovem piloto, quando o time ainda disputava provas com outra identidade. A contratação e o apoio interno são elementos que, segundo o piloto, reforçam sua motivação para seguir trabalhando em prol de melhores resultados.
Para o público brasileiro e para a formação de pilotos do país, a presença de Bortoleto na Fórmula 1 e as oscilações de rendimento deste primeiro ano com a montadora configuram um capítulo de atenção: a curva de aprendizado é valorizada por dirigentes e por parte da torcida, mas também há pressão por resultados e por respostas rápidas às falhas mecânicas que têm custado posições e pontos.
Fecho e próximos passos
Apesar do revés em Singapura, o calendário seguirá com a próxima etapa marcada para o Circuito das Américas, em Austin, nos Estados Unidos, que acontecerá daqui a duas semanas. A equipe terá esse período para analisar a origem do problema no câmbio, trabalhar nas correções necessárias e preparar ambos os carros para a sequência do campeonato. Bortoleto afirmou que permanecerá focado e disposto a contribuir com o desenvolvimento do projeto, com a expectativa de retornar a batalhas por posições na zona de pontos nas etapas seguintes.
O episódio em Marina Bay, portanto, funciona como mais um teste de resistência e adaptação para o brasileiro e para a Audi: cabe à equipe transformar os momentos complicados em avanços técnicos e coletivos, enquanto a temporada avança e a luta por regularidade segue em pauta.

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