Foto: Globo — uso em caráter informativo.
Na estreia por equipes em Baku, o Brasil perdeu para a China por 4 a 3, decidido no desempate. A campeã olímpica Beatriz Souza saiu mancando do dojô após lesão na perna, auxiliada pelas companheiras.
O Brasil fechou sua participação no Mundial de judô em Baku sem medalhas. Neste domingo, a seleção brasileira foi eliminada na estreia da disputa por equipes ao perder para a China por 4 a 3 — o resultado foi decidido na luta de desempate — e a campeã olímpica Beatriz Souza deixou o dojô mancando, auxiliada pelas companheiras, após sentir uma lesão na perna.
Desenvolvimento
A expectativa brasileira concentrava-se na disputa por equipes como última chance de pódio no torneio. O confronto começou com Leonardo Gonçalves, número 2 do mundo na categoria até 100kg, escalado para enfrentar Huang Fuchun, 15º do ranking. Em menos de um minuto, o chinês encaixou um contra-ataque que resultou em ippon, abrindo 1 a 0 para a China.
O Brasil reagiu e conseguiu virar para 2 a 1: na sequência, Sarah Souza venceu Wang Nan por 2 a 1 em yukos na categoria até 57kg; e Guilherme Oliveira derrotou Zhang Minghao por ippon na categoria até 73kg, ampliando a vantagem brasileira.
No confronto seguinte, Nauana Silva e Liu Lu travaram uma luta equilibrada na categoria até 70kg que só foi decidida na prorrogação por punições, com a vitória ficando com a judoca chinesa. A disputa permaneceu acirrada e mostrou equilíbrio técnico entre as equipes.
Rafael Macedo, número 4 do mundo na categoria até 90kg, recolocou o Brasil em vantagem ao vencer Bu Hebilige: ele já vencia por yuko quando conseguiu um ippon nos últimos segundos da luta, levando o placar a 3 a 2 a favor do Brasil.
Na sequência, a campeã olímpica Beatriz Souza reencontrou Niu Xinran, adversária que havia vencido na segunda rodada da disputa individual na categoria acima de 78kg. Beatriz entrou mancando levemente e, pouco tempo depois, a chinesa encaixou uma imobilização que terminou em ippon — Bia precisou de ajuda para deixar o dojô, sentindo uma lesão na perna.
Com o confronto empatado em 3 a 3, o sorteio definiu a luta de desempate entre Leonardo Gonçalves e Huang Fuchun, em que o primeiro ponto decidiria o vencedor. Novamente o chinês conseguiu um contra-ataque e venceu por yuko, selando o triunfo da China por 4 a 3 e a eliminação precoce do Brasil na disputa por equipes.
Contexto
O resultado em Baku marcou a segunda vez, nos últimos dez Mundiais, em que a seleção brasileira ficou sem medalhas no Campeonato Mundial de judô. Em Abu Dhabi 2024, a equipe também encerrou o torneio sem pódios, episódio em que alguns de seus principais nomes foram poupados com o foco nas Olimpíadas de Paris. Na sequência daquele ciclo, a delegação brasileira conseguiu quatro medalhas em Paris, incluindo o bronze por equipes, o que fez da seleção uma das favoritas nos confrontos entre seleções.
Em Baku, a campanha terminou sem repetir o desempenho olímpico. O confronto por equipes costuma ser uma oportunidade para redistribuir responsabilidades entre categorias e testar combinações táticas, mas a definição por sorteio no duelo de desempate e o aproveitamento dos contra-ataques chineses foram fatores decisivos neste confronto. A lesão de Beatriz Souza, atleta de destaque do time, acrescentou um componente negativo ao balanço do dia.
Do ponto de vista técnico, o duelo evidenciou variações de estratégia: o uso de imobilizações e contra-ataques nas lutas de alto nível, assim como a importância das punições em combates muito igualados — como ocorreu na categoria até 70kg, decidida apenas na prorrogação por penalizações. Também ficou claro que o desempenho de cada faixa de peso influenciou diretamente no desfecho coletivo, com resultados alternando a favor das duas seleções ao longo do confronto.
O que está em jogo e o próximo passo
Além da ausência de medalhas no Mundial, que alimenta um balanço crítico para a modalidade no país, a situação imediata exigiu atenção médica para Beatriz Souza. A lesão relatada no dojô interrompeu a participação da principal atleta feminina da equipe, e a definição do diagnóstico clínico será determinante para o planejamento da atleta e da comissão técnica.
Para a seleção brasileira, o resultado em Baku implicou encerrar o torneio sem pódios e provocou a necessidade de reavaliação técnica e médica. A comissão técnica terá agora o trabalho de compilar os pontos fortes e fracos exibidos no torneio, avaliar o impacto da lesão de Beatriz no curto prazo e ajustar o calendário de preparação para competições futuras e para o ciclo olímpico seguinte.
Em termos de história da competição, resta acompanhar os comunicados oficiais sobre o estado de saúde da campeã olímpica e as decisões da equipe técnica sobre alterações no quadro competitivo do Brasil. Essas definições serão os próximos capítulos a serem acompanhados pelos torcedores e pela confederação, enquanto a delegação finaliza a participação em Baku e retorna às atividades regulares de treinamento.

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