Foto: Globo — uso em caráter informativo.
Com menos de cinco anos de prática, as equipes brasileiras disputam o Pan-Americano Sixes no Canadá em busca de vaga no Mundial 2027, passo para Los Angeles 2028. No primeiro jogo o masculino perdeu 29-10 para o Canadá.
O lacrosse volta a chamar atenção no cenário olímpico enquanto o Brasil tenta um feito inédito: garantir presença nas Olimpíadas de Los Angeles 2028 por meio do caminho traçado na modalidade Sixes. Com menos de cinco anos de prática oficial no país, as seleções masculina e feminina estão em disputa no Campeonato Pan-Americano de Lacrosse Sixes, no Canadá, em busca de vagas para o Mundial de 2027 — passo fundamental na corrida por um lugar em 2028.
Desenvolvimento
Na estreia pelo fase de grupos do Pan-Americano, a seleção masculina brasileira foi superada pelo Canadá por 29 a 10. No mesmo dia de competição, a equipe feminina do Brasil perdeu para Porto Rico por 24 a 6. As confrontações mostram o desnível atual entre o país e potências tradicionais, mas também colocam as seleções brasileiras em um torneio que dará cinco vagas para o Mundial de 2027. A competição segue até domingo, quando serão definidas essas cinco equipes classificadas.
O formato Sixes adotado pela World Lacrosse para o percurso olímpico tem características específicas que diferem do lacrosse tradicional: partidas compostas por quatro tempos de oito minutos; equipes formadas por cinco jogadores de linha e um goleiro; e um limite de 30 segundos para finalizar os ataques. Essas regras tornam o jogo mais dinâmico e adaptado a campos menores, estratégia adotada para ampliar a competitividade e a capacidade de inclusão do esporte em calendário internacional maior.
O retorno do lacrosse ao programa olímpico acontecerá em Los Angeles 2028, depois de presença como esporte oficial apenas em 1904 e 1908 e participações esporádicas como demonstração até 1948. A readmissão se deu a pedido do país-sede, que conta com uma base institucional e universitária forte para a modalidade.
No Brasil, a trajetória formal do lacrosse é bastante recente. A chegada ao país ocorreu em 2022, com a instalação de uma base de desenvolvimento em Santarém (PA). Dois ex-jogadores internacionais — Cristina Vélez, ex-jogadora da Espanha, e Sérgio Madrigal, ex-jogador da Colômbia — promoveram clínicas e capacitaram os primeiros treinadores locais. Santarém virou sede da Brasil Lacrosse e principal polo da modalidade no território brasileiro.
A primeira participação oficial do país em competições de Sixes foi em 2023, quando a seleção masculina disputou o Pan-Americano na Jamaica. Dois anos depois, foi a vez do time feminino estrear em um torneio continental, em Porto Rico. Em agosto, 32 atletas foram convocados para um período de treinamentos voltado ao Pan-Americano que está sendo disputado nesta semana.
Entre os destaques individuais está Titus Andrew Sousa Chapman. Natural do Tennessee (Estados Unidos) e descendente de brasileiros, Titus lidera o time masculino e foi o primeiro atleta da modalidade a receber o Prêmio Brasil Olímpico, em 2025.
Contexto e o que está em jogo
Além da disputa imediata no Pan-Americano e das vagas para o Mundial de 2027, o plano de longo prazo para o Brasil é claro: apenas classificando-se entre os quatro melhores no Mundial da modalidade o país assegurará vaga direta para Los Angeles 2028. Haverá ainda uma última oportunidade para seleções não classificadas via Mundial por meio de uma competição pré-olímpica, mas o caminho mais direto e seguro passa por um desempenho elevado no Mundial de 2027, que será disputado em Colorado Springs, nos Estados Unidos.
O histórico do esporte mostra forte predominância norte-americana e canadense, com raízes profundas entre povos tradicionais da América do Norte; entre esses, a presença de uma seleção formada pelo povo Haudenosaunee evidencia a conexão cultural e espiritual com o lacrosse. No cenário universitário dos Estados Unidos e em clubes do Canadá a prática é consolidada, o que explica margens amplas de placar em confrontos contra seleções emergentes como o Brasil.
No plano doméstico, a expansão depende de mais treinamento, formação de técnicos e criação de núcleos além de Santarém. Atualmente, as seleções brasileiras são compostas, em sua maioria, por atletas com ascendência brasileira que vivem no exterior ou brasileiros que moram e estudam fora do país. Essa composição reflete tanto a juventude da base nacional quanto a estratégia de aproveitar vínculos internacionais para elevar o nível técnico rapidamente.
Fecho — o próximo passo da história
Com a sequência do Campeonato Pan-Americano até domingo, o foco imediato das seleções brasileiras está em garantir uma das cinco vagas para o Mundial de 2027. O desempenho nas próximas partidas definirá se o país manterá a trajetória de crescimento e oportunidade rumo à disputa por uma vaga olímpica inédita. Para chegar a Los Angeles 2028, o Brasil ainda precisará superar o desafio do Mundial no ano que vem e, se necessário, tentar a via do torneio pré-olímpico.
O desenvolvimento do lacrosse no Brasil continuará a ser acompanhado de perto à medida que a modalidade busca consolidar raízes mais profundas, ampliar núcleos regionais e transformar a participação internacional em resultados que aproximem a seleção da histórica classificação olímpica.

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