Foto: Divulgação — uso em caráter informativo.
Ronaldo deixou a delegação na quarta após atrito com o técnico Jorge Jesus e reunião com o presidente da FPF, Pedro Proença. A federação pode abrir processo com risco de suspensão de até seis meses.
Cristiano Ronaldo deixou a concentração da seleção de Portugal na quarta-feira, 30, após um episódio envolvendo o treinador Jorge Jesus e uma conversa com Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF). A saída do atacante provoca incertezas sobre seu futuro imediato na equipe e pode gerar um procedimento disciplinar por parte da federação.
Detalhes do episódio
Segundo informações sobre os acontecimentos, o jogador comunicou, na quarta-feira (30), que havia decidido deixar a delegação portuguesa. Ronaldo já havia se ausentado do treino da seleção na terça-feira, 29, quando a equipe estava na Suécia, voltando ao hotel para realizar atividade na academia. Na quarta-feira, ele também não participou do treinamento com o grupo.
A saída ocorreu após repercussão de uma entrevista coletiva concedida pelo técnico Jorge Jesus, na qual o treinador explicou o motivo de não ter colocado Ronaldo em campo na vitória recente sobre a Noruega e reafirmou sua postura de comando. Ainda na sequência dos acontecimentos, houve uma conversa entre o atacante e Pedro Proença, presidente da FPF.
“Posso prometer o que eu quiser. Sou treinador. Sou o treinador, disse ao jogador não era para jogar. Vou levá-lo para o banco. Se precisar de você por 30 minutos, vai jogar, se não, não vai jogar. Nunca nenhum jogador vai mudar as minhas ideias. Nem ele nem ninguém no futebol. Nem nenhum presidente. Nunca, zero”
Na avaliação da FPF, a decisão de Ronaldo de deixar a delegação passou a ser um caso a ser analisado sob o prisma do regulamento disciplinar da entidade, que prevê penalidades para jogadores convocados que abandonem atividades da seleção sem justificativa.
O que dizem as regras e as consequências previstas
O regulamento disciplinar da Federação Portuguesa estabelece que “o jogador que, regularmente convocado, abandone ou não compareça injustificadamente a treino, jogo ou atividade das seleções nacionais ou relacionada com a representação desportiva da FPF ou de Portugal, é sancionado com suspensão de um a seis meses e, acessoriamente e se for jogador profissional, com multa entre 500 e 1.000 euros”.
Em valores convertidos para a moeda brasileira, a multa prevista corresponderia, conforme o mesmo material, aproximadamente a R$ 2.930 a R$ 5.870. A suspensão disciplinar, na hipótese em que a federação entenda pela configuração de abandono injustificado, pode chegar a seis meses, conforme o texto do regulamento.
Por ora, uma certeza prática foi observada nos desdobramentos imediatos: Cristiano Ronaldo não estará em campo na partida marcada para quinta-feira, 1º, contra a Dinamarca, às 15h45 (horário de Brasília), em Copenhagen, confronto que ocorrerá durante a Data FIFA.
Contexto e implicações esportivas
O episódio ocorre em um momento sensível, já que a saída do jogador se dá em plena janela internacional, quando seleções contam com suas principais opções para compromissos oficiais e amistosos. Cristiano Ronaldo é o maior artilheiro da história da seleção portuguesa, e sua ausência — física ou eventual suspensão — tem impacto não apenas na composição do time para o jogo imediato contra a Dinamarca, mas também nas opções técnicas do treinador para compromissos seguintes.
A imprensa nacional portuguesa repercutiu duramente o caso, com manifestações que variaram entre críticas ao episódio e à atuação das partes envolvidas. O próprio jogador teria comunicado a decisão de deixar a delegação e afirmou que, posteriormente, diria a “verdade” sobre os motivos que o levaram ao gesto, segundo relatos. Do lado institucional, a federação informou que irá analisar os factos para decidir se haverá a instauração de processo disciplinar com base no regulamento citado.
Além das implicações disciplinares, o conflito expõe uma tensão entre um técnico que afirmou não aceitar interferências de jogadores ou dirigentes em suas escolhas e um jogador de grande protagonismo e histórico na seleção. A postura do treinador, explicada em coletiva, e a reação do atacante abrem um capítulo que coloca em discussão autoridade técnica, gestão de egos e responsabilidade institucional durante compromissos internacionais.
Próximos passos
A situação seguirá para análise formal por parte da Federação Portuguesa, que terá de verificar se o abandono configurou falta disciplinar nos termos do regulamento e, em caso afirmativo, qual será a sanção aplicada. Do lado do jogador, há indicação de que ele fará uma declaração pública sobre os motivos da saída em momento posterior.
No plano desportivo imediato, a seleção portuguesa seguirá sem Cristiano Ronaldo para o jogo em Copenhagen, e o treinador terá de definir alternativas para a equipe titular e eventuais mudanças táticas sem o atacante. A decisão institucional da FPF sobre eventual suspensão e multa é o próximo fato relevante a acompanhar, e terá impacto na disponibilidade do jogador para partidas seguintes enquanto perdurar a janela disciplinar.
Em suma, a saída de Cristiano Ronaldo da concentração portuguesa transformou-se em um caso com desdobramentos esportivos e administrativos: cabe agora à federação avaliar os acontecimentos à luz do regulamento e ao próprio jogador esclarecer publicamente suas razões, enquanto a seleção se prepara para entrar em campo contra a Dinamarca sem seu principal nome.
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