Foto: Globo — uso em caráter informativo.
Aos 30 anos, o ex-jogador do São Paulo mantém hábitos de atleta, mas viu a carreira ser encurtada por sucessivas lesões e três cirurgias no joelho. Hoje ele investe em projetos corporativos e aplica inteligência artificial.
Aos 30 anos, Felipe Araruna mantém hábitos de atleta — treina diariamente, corre, joga tênis e frequenta a academia —, mas construiu fora dos gramados a rotina que o futebol não permitiu adiante. Após sucessivas lesões e três cirurgias no joelho, o ex-jogador do São Paulo viu a carreira profissional ser abreviada antes do que imaginava e hoje dirige esforços para se reinventar em projetos do mercado corporativo, incluindo o uso de inteligência artificial.
Desenvolvimento: lesões, últimos minutos em campo e formação
A última aparição de Araruna em campo foi em janeiro de 2022, pelo Reading, da Inglaterra: entrou e atuou por apenas cinco minutos na derrota para o Kidderminster, pela Copa da Inglaterra. Naquele retorno de cirurgia no joelho, sofreu a ruptura do tendão patelar, episódio que se somou a uma série de problemas físicos que marcaram o encerramento de sua trajetória como jogador.
“Meus últimos anos foram meio amargos no futebol pelas lesões consecutivas que tive, então não estive muito em campo. Talvez esse seja um dos motivos de o pessoal não ter acompanhado esse final de trajetória. Mas foi um processo orgânico de terminar. As lesões foram acontecendo, as últimas foram complexas, muito complicadas.”
Ao longo do período de recuperação e tentativas de retorno, o desgaste foi além do físico. Araruna passou por três cirurgias no joelho e sofreu também uma lesão no ligamento colateral medial, o que afetou sua confiança corporal e psicológica.
“O processo não é só físico, é mentalmente muito difícil, complexo. Uma atrás da outra ainda. Fiz a primeira, voltei, fiz quatro, cinco jogos, tive do outro lado. Aí voltei, joguei um pouco, tive do outro lado. No meu caso, eu parei de acreditar até no meu corpo. Então a parte mental foi muito difícil, até mais que a física.”
Formado parcialmente na rotina de jogador, Araruna conciliou a carreira com estudos. Cursou quatro anos de Administração — os dois primeiros ainda nas categorias de base e os dois últimos já como profissional no São Paulo — e lembrou da exigência de conciliar treinos, viagens, jogos e concentrações com aulas e provas. Essa formação escolar e o apoio familiar tiveram papel importante na transição.
Com a camisa do São Paulo, Araruna disputou 42 jogos. Foi promovido aos profissionais em 2017 por Rogério Ceni, treinador de grande influência em sua carreira. Anos depois, os dois voltaram a trabalhar juntos no Fortaleza, onde dividiram conquistas regionais: a Copa do Nordeste e o Campeonato Cearense, ambos em 2019. Essas passagens deixaram marcas distintas na trajetória do jogador, que diz guardar com carinho o período no clube do coração.
Reinvenção fora dos gramados
Aos poucos, Araruna foi abrindo portas além do esporte. Segundo ele, o planejamento para uma vida além dos gramados começou antes das lesões, incentivado pelos pais: “Minha família sempre me instruiu muito nessa parte também da minha vida, de sempre ter uma pessoa próxima falando de finanças e investimento, como é importante a longo prazo.” Durante a pandemia, fez um curso de investimentos e aprofundou esse interesse.
No mercado corporativo, passou a atuar em projetos diversos: teve contato com iniciativas envolvendo SAFs, ajudou um amigo em uma agência de jogadores e hoje também desenvolve trabalhos que incorporam inteligência artificial. Essas frentes ilustram como ex-atletas podem transitar para ambientes de negócios e tecnologia, aproveitando aprendizados da carreira esportiva — disciplina, rotina e gestão de pressão — para novos desafios.
Contexto e o que está em jogo
O caso de Araruna espelha dificuldades comuns a jogadores que encerram a carreira antes do previsto: lidar com a perda da atividade central da vida, reconstruir identidade profissional e administrar impactos financeiros e emocionais. A experiência dele destaca dois pontos frequentemente apontados por especialistas em transição de carreira esportiva: a importância da escolaridade e do planejamento financeiro, e a necessidade de suporte psicológico para enfrentar o vácuo deixado pelo esporte.
Além disso, a passagem pelo Fortaleza e a conquista de títulos regionais em 2019 conectam Araruna à cena do Nordeste do futebol, demonstrando que trajetórias fora dos grandes centros podem render memória e oportunidades relevantes na carreira pós-gramados. Para atletas da região, esse tipo de vínculo pode abrir portas no mercado local e em projetos que valorizem experiência com competições regionais como a Copa do Nordeste.
Fecho: o próximo passo
Com a rotina de atleta mantida em treinamentos e cuidados físicos, Araruna busca consolidar sua atuação fora dos campos. A combinação de formação acadêmica, experiências com projetos de SAFs e agenciamento, e o interesse por inteligência artificial desenham um caminho de reinvenção profissional em que o futebol continua presente como referência, mas não como atividade principal. O próximo passo da história, portanto, será acompanhar como essas iniciativas se transformarão em oportunidades sustentáveis e de longo prazo para sua nova trajetória.

Siga o Foco no Esporte e acompanhe jogos, resultados e notícias em tempo real.
