Foto: Globo — uso em caráter informativo.
A ex-atleta Cidinha, 49, fala sobre a carreira que começou em Três Lagoas e chegou à Seleção, com Copa de 1999 e Olimpíadas de 2000. Ela revive as emoções de 1997 e aposta no bicampeonato do clube.
Maria Aparecida de Souza Dias, conhecida como Cidinha, está revivendo memórias de um período vitorioso do futebol feminino: ela integrou o time do São Paulo que conquistou o Campeonato Brasileiro feminino de 1997 e representou o Brasil em competições internacionais, como a Copa do Mundo Feminina de 1999 e as Olimpíadas de 2000, em Sydney.
Trajetória e recordações
Cidinha, de 49 anos, recorda a origem de sua carreira em Três Lagoas, interior de Mato Grosso do Sul, e a sequência que a levou a Campo Grande e depois ao circuito nacional. Ela foi observada durante uma edição da Copa Kaiser, cuja final ocorreu no antigo Estádio Elias Gadia, em Campo Grande, em 1996. A partir dessa visibilidade, ganhou convite para a seleção e, posteriormente, para o São Paulo, ambos sob o comando de José Duarte.
“Ele fez o convite. Falou para eu me preparar. Em novembro de 1996, surgiu a oportunidade e fui direto para seleção.”
No São Paulo, Cidinha atuava como volante e fazia parte de um elenco que se tornou referência na época: Maravilha; Andréia Camargo, Kátia Cilene, Tânia Maranhão e Marisa; Elsilene, Cidinha, Karin, Formiga, Suzana e Sissi. Muitas dessas jogadoras integraram ainda a campanha que levou a seleção brasileira ao terceiro lugar na Copa do Mundo Feminina de 1999.
Campanha de 1997: números e finais
A campanha do São Paulo no Brasileiro de 1997 foi dominante e marcou o futebol feminino nacional. Na fase inicial, a equipe venceu os três jogos, incluindo goleadas de 11 a 0 sobre o Rio Negro e 13 a 0 sobre a Universidade Gama Filho. Na sequência, o time derrotou a Portuguesa por 1 a 0, goleou o Raiz da Gávea por 8 a 0 e venceu o Tupinambás por 7 a 0. Na semifinal, o São Paulo superou o Vasco da Gama por 2 a 0, com dois gols de Kátia Cilene.
Na decisão, disputada em 30 de novembro de 1997, o São Paulo venceu a Portuguesa por 4 a 0. Os gols na final foram de Cidinha (dois), Formiga e Sissi, com Kátia Cilene terminando como artilheira da competição, com 18 gols. Até hoje, esse permanece como o único título do Brasileirão Feminino conquistado pelo São Paulo.
“Era a base da seleção brasileira, o São Paulo fez um time para ser vencedor. Eu assistia às jogadoras e depois realizei o sonho de estar do lado delas.”
Vida fora dos gramados e avaliações sobre o presente
Atualmente, Cidinha mora em uma casa simples em Campo Grande e trabalha como vendedora em um supermercado. Ela lembra que, no passado, a modalidade tinha menos estrutura, poucos patrocínios e muito preconceito, o que fazia com que as atletas jogassem, em boa parte, por paixão ao esporte.
“A gente jogava por amor mesmo.”
Ao mesmo tempo, ela reconhece a evolução do futebol feminino no Brasil e celebra a expectativa em torno do crescimento da modalidade. Cidinha também destacou a importância de o país sediar a próxima Copa do Mundo Feminina, em 2027, e disse que estará na torcida para que o evento se confirme como um avanço para as jogadoras e para a visibilidade do esporte.
“Isso foi um crescimento muito bom para o futebol feminino. Vai ser um privilégio. Estarei na torcida para que isso aconteça.”
O hoje que promete decisão
Além do olhar para o passado, Cidinha acompanha o presente do São Paulo. Ela acredita que o clube tem condições de conquistar mais um título nacional na temporada atual: o São Paulo enfrenta o Corinthians na final do Campeonato Brasileiro feminino em partidas de ida e volta. HOJE, sábado (26), o jogo de ida será na Neo Química Arena às 16h30 (horário de Brasília). A partida de volta está marcada para o dia 3 de outubro, no mesmo horário, no Morumbi.
“As meninas têm tudo para se sagrar campeãs.”
Cidinha deixou um palpite claro: espera que o São Paulo saia em vantagem na partida de ida e consiga segurar o resultado na volta, garantindo o título. Sua aposta aponta para uma final equilibrada, com vantagem dos paulistas na primeira partida e controle no jogo decisivo em casa.
O significado de uma história
A trajetória de Cidinha resume boa parte da transformação que o futebol feminino brasileiro viveu nas últimas três décadas: da carência de recursos à maior profissionalização e exposição internacional. Sua lembrança das goleadas, dos gols na final de 1997 e da experiência em competições como a Copa do Mundo de 1999 e as Olimpíadas de 2000 serve como testemunho de uma geração que abriu caminhos para as atuais atletas.
Enquanto acompanha a decisão do Brasileiro, Cidinha também preserva objetos e lembranças daquele período — fotos, camisas e laços de amizade, como a relação que manteve com Sissi e outras companheiras. Essas memórias alimentam sua expectativa de ver o esporte continuar em expansão e proporcionar melhores condições às novas atletas.
O próximo capítulo é imediato: a final em duas partidas entre São Paulo e Corinthians, com a primeira partida HOJE, e a volta em 3 de outubro. Será a hora de conferir se o favoritismo de parte da torcida e o palpite de quem viveu o auge do futebol feminino se concretizarão em um novo título para o São Paulo.

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