Foto: Globo — uso em caráter informativo.
Na Polônia, a Copa Sub-20 é o primeiro torneio da Fifa a exigir ao menos duas mulheres por comissão, com uma como treinadora principal ou auxiliar. No torneio, o Brasil venceu a Inglaterra por 2 a 1.
A Copa do Mundo Feminina Sub-20, que está sendo disputada na Polônia desde o dia 5 de setembro, passa a ser o primeiro torneio da Fifa a aplicar a nova regra que exige a presença de, no mínimo, duas mulheres em cada comissão técnica, com a obrigatoriedade de que uma delas ocupe o cargo de treinadora principal ou de auxiliar técnica. A mudança marca um novo capítulo nas competições femininas da entidade.
No aspecto esportivo do torneio, a seleção brasileira tem vivido capítulos importantes: entre os resultados registrados estão a vitória por 2 a 1 sobre a Inglaterra na terceira rodada da fase de grupos e o confronto com os Estados Unidos nas oitavas de final, resolvido nos pênaltis depois de empate por 1 a 1 — apresentado nos formatos de placar como Brasil 1 (5) x (4) 1 EUA e Inglaterra 1 x 2 Brasil em menções a melhores momentos e rodadas da competição.
A exigência de composição mínima feminina nas comissões foi aprovada pelo Conselho da Fifa em março deste ano e passa a valer para todas as competições femininas organizadas pela entidade, sejam elas de caráter profissional ou juvenil, tanto em confrontos entre clubes quanto entre seleções. A aplicação da regra também está prevista para a edição de 2027 da Copa do Mundo, que terá o Brasil como sede.
“Eu sonhava em participar deste programa, então é incrível estar aqui e estou muito feliz por ter sido escolhida. Meu mentor me ajudou muito a ter confiança, a planejar e a me conectar com as jogadoras e com a equipe técnica”
— Camilla Orlando, técnica da seleção feminina sub-20.
Desdobramentos imediatos no torneio
Além do caráter simbólico da mudança, a aplicação prática nas delegações presentes na Polônia altera a composição diária das equipes técnicas e amplia a visibilidade de treinadoras em funções de liderança. Seleções que avançaram na competição precisaram ajustar escalas e funções para cumprir o novo critério, que passou a integrar a documentação e as exigências de homologação das comissões junto à organização do Mundial Sub-20.
O formato de decisão por pênaltis no duelo entre Brasil e Estados Unidos — registrado como 1 (5) x (4) 1 — reforça a competitividade do torneio e a conjugação entre resultados dentro de campo e pautas de gestão fora dele. Essas partidas, com desfechos apertados, servem também como vitrines para as profissionais que assumem agora papéis mais proeminentes nas comissões.
Contexto e alcance da nova determinação
A determinação integra o Programa de Desenvolvimento Feminino da Fifa, composto por estratégias direcionadas ao aumento da representatividade feminina em cargos técnicos e de liderança dentro das federações. Como referência, na Copa do Mundo de 2023, realizada na Austrália, apenas 12 dos 32 treinadores participantes eram mulheres, um dado usado como justificativa para avanços regulatórios e programas de fomento.
Na prática, a regra exige que cada comissão técnica de torneios femininos inclua pelo menos duas profissionais do sexo feminino, e que uma delas ocupe necessariamente o posto de treinadora principal ou de auxiliar técnica. A medida afeta desde a preparação do staff até os processos de seleção e investimento em formação de treinadoras nas associações-membro.
O que está em jogo para seleções e profissionais
Para as seleções, a novidade traz a necessidade de planejamento de médio prazo: identificar, capacitar e integrar profissionais qualificadas para funções técnicas, sem que isso represente apenas cumprimento formal de exigência. Para as candidatas a cargos de comando, abre-se uma janela de oportunidade para assumir responsabilidades nas categorias de base e, assim, construir trajetórias que possam alcançar seleções principais e clubes de alto nível.
Ao mesmo tempo, a exigência impacta as federações nacionais, que precisarão ajustar programas de formação, criar vagas e oportunidades de trabalho e articular mentorias e redes de apoio. O monitoramento da efetividade da medida nas próximas competições será um termômetro para avaliar se a presença feminina se traduz em permanência e progressão profissional.
Próximos compromissos e etapas para acompanhar
Alguns compromissos e torneios imediatos terão atenção especial na observação da implementação da nova regra. Entre os eventos e jogos apontados como próximos marcos estão:
- Amistosos finais de 2026: seleção feminina enfrentará Argentina e Japão nos últimos amistosos de 2026, confrontos que também servirão para testar composições e rotinas das comissões técnicas.
- Copa do Mundo Sub-17: prevista para acontecer em outubro, no Marrocos, a competição será o próximo torneio a adotar formalmente a mudança; a seleção brasileira está classificada e irá em busca do primeiro troféu na categoria.
Esses compromissos permitirão observar se as alterações impostas pelo regulamento se consolidam de forma duradoura nas estruturas das seleções ou se ajustes adicionais serão necessários tanto por parte da Fifa quanto das associações nacionais.
Fecho — o próximo passo da história
O próximo passo dessa história será acompanhar a aplicação da regra nas competições subsequentes e medir seus efeitos concretos: se haverá aumento sustentado no número de treinadoras em cargos de comando, se as oportunidades criadas serão permanentes e como as federações regionais e nacionais vão adaptar seus programas de formação. A etapa de outubro, com a Sub-17 no Marrocos, e a preparação para a Copa de 2027, no Brasil, serão janelas cruciais para avaliar se a mudança promove um avanço estrutural no futebol feminino.
Enquanto isso, dentro de campo, os resultados e as atuações das seleções seguirão pautando o debate sobre a interseção entre desempenho esportivo e políticas de igualdade e representação nas comissões técnicas.

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