Foto: Globo — uso em caráter informativo.
No Maracanãzinho, a seleção abriu o Pré-Olímpico com triunfo por 3 a 0; Adriano foi o maior pontuador, com 13 pontos. O resultado alivia as cobranças e fortalece a busca pela vaga olímpica.
O Brasil começou com vitória sua campanha no Pré-Olímpico Sul-Americano masculino de vôlei ao vencer o Chile por 3 sets a 0 na noite de terça-feira (15), no Maracanãzinho. O triunfo trouxe alívio diante das cobranças acumuladas nos últimos anos e teve momentos que deram o tom do confronto tanto dentro quanto fora de quadra.
Desenvolvimento: placar, destaques e episódios da partida
O placar final, 3 a 0 para a seleção brasileira, teve como maior pontuador Adriano, com 13 acertos. A primeira parcial foi a mais equilibrada do jogo, com o placar empatado em boa parte do tempo e episódios que chamaram atenção do público presente: serviços que terminaram perto do banco brasileiro e jogadas agressivas dos ponteiros chilenos.
No primeiro set houve duas jogadas curiosas envolvendo o técnico Bernardinho. Em uma delas, o ponteiro Vicente Ibarra soltou a mão no saque e a bola foi em direção ao banco brasileiro; em outra, Aravena Castro atacou na diagonal e mandou a bola longa, que também saiu perto do técnico — em ambas as ocasiões Bernardinho tentou se proteger e chegou a erguer os braços. Em registros da parcial aparecem pontos com o placar 1º set: Brasil 13 x 12 Chile e, mais adiante, 1º set: Brasil 23 x 20 Chile, quando Bernardinho levou nova bola.
A escalação do levantador chileno surpreendeu a seleção brasileira: a equipe havia se preparado mais para as jogadas de Matías Banda, que inicialmente era a opção prevista para começar, mas quem entrou como titular foi Sebastian Albornoz. Após a partida o central Flávio reconheceu que essa diferença no planejamento influenciou a igualdade inicial entre as equipes.
“Estudamos o outro levantador deles, que teoricamente começaria a partida. Dos 12 jogos analisados, oito foram com o outro atleta e quatro com esse que entrou em quadra. Ainda conseguimos receber algumas informações, mas fomos conhecendo e nos adaptando às principais jogadas do Chile já durante o confronto.”
Além dos aspectos técnicos, o espetáculo teve cenas de torcida e movimentação no banco adversário. Os reservas do Chile fizeram muito barulho durante a partida, com palmas e gritos de incentivo que chegaram a provocar vaias por parte do público brasileiro em determinados momentos.
“Quando estamos dentro da quadra, é muito difícil olhar para essas coisas, perceber esses fatores externos. Eu, pelo menos, tento focar muito no jogo, não deixar nada abalar a minha concentração e o meu desempenho. Mas o central passa metade do jogo fora. Então, teve uma hora que eu percebi as vaias da torcida para os jogadores chilenos. Dei uma espiada para ver o que os caras estavam fazendo. Mas isso não nos atrapalhou em nada.”
Contexto: retrospecto recente e o que está em jogo
A vitória veio em um momento de pressão para a seleção masculina. O Brasil chegou ao Pré-Olímpico carregando campanhas ruins em competições recentes — entre elas o 17º lugar no Mundial de 2025 e a eliminação na fase classificatória da Liga das Nações (VNL) de 2026, algo inédito para a seleção. Esses resultados elevaram a cobrança para que a equipe garanta a vaga olímpica em Los Angeles no torneio que está sendo disputado no Rio de Janeiro.
O torneio vale como Pré-Olímpico porque a equipe campeã conquistará vaga direta para os Jogos de Los Angeles. Dentro desse cenário, os jogadores buscaram uma reação coletiva que passe confiança à comissão técnica e ao torcedor. Adriano, principal pontuador do confronto com o Chile, resumiu o sentimento do grupo em relação à temporada e ao objetivo imediato.
“Tínhamos objetivos para esta temporada, e o primeiro não foi alcançado, a classificação para a fase final da VNL. Isso causou um impacto sobre nós, e cada jogador fez uma autocrítica, o que foi fundamental. Temos agora um pacto e vamos fazer o possível para conquistar (a vaga olímpica).”
Dois dias antes da abertura masculina do Pré-Olímpico, a seleção feminina havia assegurado classificação para Los Angeles ao conquistar o título sul-americano. O triunfo da equipe feminina trouxe ainda mais foco para a missão masculina de também confirmar presença nos Jogos.
O que ficou de especial e os próximos passos
Além dos lances em quadra e das reações no banco de reservas, houve também momentos de celebração pessoal: Lukas Bergmann, que entrou na reta final do terceiro set após se recuperar de um problema nas costas, foi cumprimentar a família — os pais André e Neide e a irmã Júlia — presentes nas arquibancadas.
Com a vitória sobre o Chile, o Brasil volta a jogar nesta quarta-feira (16), às 20h (de Brasília), pela segunda rodada do Pré-Olímpico, e terá a Bolívia como adversária. A partida terá transmissão ao vivo pelo sportv2. A sequência do torneio define a trajetória da seleção rumo à busca da vaga olímpica e servirá para ajustar rotações, testagem de jogadores e confirmações táticas necessárias para os compromissos seguintes.
Se por um lado a estreia serviu para dissipar parte da pressão imediata, por outro deixou questões práticas em aberto: a adaptação a escalações inesperadas do adversário, a necessidade de manter regularidade pontual de atletas como Adriano e a continuidade do “pacto” citado pelos jogadores. Nos próximos confrontos será possível medir com maior clareza se o triunfo inaugural foi apenas uma vitória de abertura ou o primeiro passo de uma campanha que culminará na classificação para Los Angeles.
O próximo capítulo da trajetória brasileira no Pré-Olímpico será conhecido já nesta quarta-feira, quando a equipe terá nova oportunidade de somar resultados positivos e fortalecer o trabalho em busca da vaga olímpica.

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