Foto: Globo — uso em caráter informativo.
Giuliano Bertolucci pediu à Justiça a constrição de R$ 19 milhões do Grêmio, citando premiações da Copa do Brasil e a venda de Viery ao futebol italiano. O pedido foi protocolado em 17 de agosto em Porto Alegre.
O empresário Giuliano Bertolucci cobra na Justiça uma dívida de R$ 19 milhões do Grêmio e protocolou pedido de penhora direcionado às premiações da Copa do Brasil e aos recursos provenientes da venda do zagueiro Viery ao futebol italiano. A movimentação judicial mira valores que, na avaliação do credor, poderiam garantir o pagamento do débito que dura seis anos.
O pedido formal foi apresentado por meio de petição datada de 17 de agosto e enviada à 2ª Vara Cível do Foro Regional do 4º Distrito da Comarca de Porto Alegre. No documento, o advogado do empresário solicita a constrição de quantias que o clube venha a receber da Confederação Brasileira de Futebol, bem como medidas para que a operação internacional envolvendo Viery seja comunicada às autoridades competentes.
De acordo com o processo, a venda do defensor Viery foi fechada com a Fiorentina por um valor fixo de R$ 88,5 milhões. Além disso, o texto aponta o interesse em que a penhora seja registrada junto à Confederação Brasileira de Futebol e também comunicada à Federação Italiana de Futebol e à própria Fiorentina, para que eventual transferência fique sujeita à existência da medida cautelar.
O pedido judicial faz menção direta às premiações da Copa do Brasil de 2026: por avançar às quartas de final, fase atual do Grêmio, o clube já embolsou R$ 4 milhões, e, caso derrote o Internacional nesta quinta e avance às semifinais, receberá R$ 9 milhões da CBF. A expectativa sobre esses recursos está explicitada na estratégia de cobrança adotada pelo credor.
Detalhes do pedido e dos valores
O documento apresentado à Justiça contém trechos que pedem a penhora de valores de qualquer natureza que o clube detenha ou venha a deter perante a CBF, com destaque para cotas de participação e premiações da Copa do Brasil de 2026 relativas às quartas de final e às fases subsequentes. Em termos práticos, trata-se de direcionar as receitas provenientes do torneio para o pagamento da dívida apontada por Bertolucci.
Requer-se, assim, a penhora dos valores de qualquer natureza que o Executado [Grêmio] detenha ou venha a deter perante a Confederação Brasileira de Futebol, notadamente as cotas de participação e as premiações da Copa do Brasil de 2026 relativas às quartas de final e às fases subsequentes
Além da cobrança sobre as premiações internas, a petição solicita que a Justiça expida ofício à CBF informando os dados da operação envolvendo Viery e que seja enviado comunicado à Federação Italiana de Futebol e à Fiorentina acerca da existência da penhora. A solicitação busca resguardar o direito do credor em face do fluxo financeiro gerado pela transação internacional.
Retrospecto e situação financeira do clube
O débito cobrado por Bertolucci já se arrasta por seis anos, segundo a peça processual, e a disputa passa agora por um momento em que receitas emergentes — como prêmios de competição e recursos de transferências — são apontadas como possíveis fontes de quitação. O documento também informa que o débito poderá ter um acordo homologado em breve, indicando espaço para negociação que evitaria medidas mais gravosas.
Em paralelo às ações judiciais por dívidas, o clube incorreu, na semana passada, no chamado Evento de Insolvência e sofreu um bloqueio preventivo, similar a um transfer ban. A medida foi aplicada pela Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf), órgão independente criado para aplicar regras do fair play financeiro no futebol brasileiro. Esse bloqueio preventivo tem potencial de limitar registros e transações enquanto estiver em vigor.
O que está em jogo e o próximo compromisso
O cenário desenhado pela cobrança de R$ 19 milhões e pela tramitação do pedido de penhora coloca em evidência receitas pontuais que poderiam ser destinadas ao atendimento da obrigação. Se o Grêmio vencer o Internacional nesta quinta e avançar às semifinais da Copa do Brasil, a premiação adicional de R$ 9 milhões seria um recurso diretamente citado como alvo da medida cautelar. Por outro lado, a concretização da venda de Viery por R$ 88,5 milhões eleva a importância de uma eventual comunicação internacional sobre a penhora.
No plano esportivo imediato, o Tricolor tem a disputa das quartas de final como compromisso e a partida contra o Inter aparece também como elemento relevante para o desenrolar financeiro: o resultado em campo poderá destravar prêmios que figuram no pedido de constrição. No campo jurídico, a tramitação na 2ª Vara Cível e eventuais ofícios a federações e clubes estrangeiros serão passos decisivos para a efetividade da cobrança.
Fecho — próximos passos da história
O desenlace do caso dependerá de movimentos em duas frentes: judicial e esportiva. Na esfera judicial, a Justiça pode decidir pela penhora dos valores requeridos, determinar comunicações às entidades envolvidas e viabilizar ou não a efetivação da medida sobre recursos futuros. Na quadra esportiva e financeira, o avanço do Grêmio na Copa do Brasil e os trâmites da venda de Viery poderão alterar a disponibilidade de ativos que o credor busca bloquear.
Ao longo dos próximos dias serão observadas decisões da 2ª Vara Cível sobre os pedidos protocolados em 17 de agosto, possíveis negociações entre as partes para homologação de acordo e os impactos da medida adotada pela Anresf. Esses desdobramentos vão definir se os R$ 19 milhões terão destino judicial e como as receitas do clube nas competições e no mercado de transferências serão afetadas.

Siga o Foco no Esporte e acompanhe jogos, resultados e notícias em tempo real.
