Foto: Globo — uso em caráter informativo.
Vinte equipes disputam partidas no 'terrão' de Porto Velho, atraindo moradores em busca de lazer. Os jogos levantam poeira, movimentam barracas e geram renda para trabalhadores autônomos da comunidade.
Um campeonato de futebol de várzea reúne 20 equipes e movimenta a comunidade em um campo de terra conhecido como “terrão” em Porto Velho. Além da disputa por resultados na tabela, os jogos atraem moradores em busca de lazer e geram oportunidades de renda para trabalhadores autônomos da região.
Ambiente e público
O cenário das partidas é marcado por crianças correndo à beira do gramado improvisado, nuvens de poeira levantadas a cada arrancada e torcedores alinhados junto à linha do campo. O local, identificado pela comunidade como o “terrão”, é palco de jogos em que o rendimento esportivo convive com um ambiente popular e de grande aproximação entre público e atletas.
O treinador do time Embratel, Gleison Aguiar, destaca o caráter comunitário do torneio ao comentar a presença do público e a relação entre os frequentadores.
“Muitas pessoas prestigiando, vocês veem. E todo mundo, a maioria aqui na várzea, todo mundo já se conhece também, todo mundo tem o respeito”
As imagens das partidas registram times como Pinheiro e São Sebastião atuando no Campo do Esperança, sinalizando que o certame acontece em espaços tradicionalmente utilizados pela população local para o lazer. O movimento à volta do campo inclui pais acompanhando as crianças, moradores da região e torcidas que seguem clubes por décadas.
Fonte de renda e tradição
A tradição do campeonato é preservada por torcedores fiéis. É o caso de Maria de Jesus, torcedora do São Sebastião, que frequenta os jogos na várzea há 24 anos e atribui ao formato do torneio a capacidade de atrair um público mais animado em relação a competições convencionais.
“Chama mais gente, tem mais animação, entendeu? Porque tá todo mundo na beira do campo, gritando e tal, essas coisas”
Além do aspecto afetivo e esportivo, o torneio funciona como uma importante fonte de renda para vendedores ambulantes e trabalhadores autônomos que atuam nos dias de jogo. Júlio César é um desses profissionais que monta sua banca nos arredores do campo desde a década de 1990 e transformou a presença permanente nas partidas em sustento para a família.
“Eu era cara de jogar bola, aí eu comecei jogando e depois eu comecei a vender pro pessoal. Agora, hoje, só faço e vendo agora nos campos. O pessoal só me conhece como Julieta”
O comércio informal se organiza em função da frequência de público: alimentos, bebidas e produtos simples são ofertados aos torcedores que acompanham as partidas até o fim. Para muitos desses trabalhadores, os dias de jogo equivalem a dias de maior movimento e, consequentemente, maior possibilidade de receita.
Desenvolvimento esportivo e o que está em jogo
O campeonato mobiliza 20 equipes que disputam vagas e posições na tabela local. Para além da rivalidade em campo, a competição representa preservação de um espaço cultural e desportivo da cidade, onde a prática do futebol se mistura com tradição e sociabilidade. A participação de equipes como Embratel, Pinheiro e São Sebastião reforça a diversidade de clubes que compõem o torneio.
O formato da várzea, com jogos realizados em campo de terra, privilegia a identificação entre comunidade e clube e mantém vivas formas de acompanhar o futebol que são diferentes das práticas institucionais e profissionais. Para jogadores e treinadores, o campeonato permite visibilidade local e a manutenção de um calendário esportivo acessível às camadas populares.
Com público cativo e presença constante de famílias, o torneio também funciona como espaço de formação de base para talentos que atuam nos bairros. A convivência diária no terrão propicia a troca de experiências entre gerações e mantém uma cadeia econômica local girando nos dias de partida.
Próximo passo
O campeonato deve seguir reunindo equipes e moradores nos próximos confrontos, mantendo a característica popular que marca as partidas no terrão. A continuidade do torneio depende do engajamento das equipes, da presença do público e do trabalho dos ambulantes que compõem a dinâmica dos dias de jogo.
Enquanto isso, treinadores, jogadores e torcedores seguem preservando um circuito de futebol que serve tanto como competição quanto como ponto de encontro comunitário. A cada rodada, a tradição se reafirma e a economia informal em torno do campo de terra se mantém como resposta prática à demanda local.
As informações sobre o evento e o esporte rondoniense são acompanhadas no local por repórteres que registram as partidas, o público e os personagens que circulam pelo terrão. Juan Rodrigues traz as informações sobre o esporte rondoniense.

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