Foto: Globo — uso em caráter informativo.
Segunda edição termina na Aldeia Kuntamanã (Marechal Thaumaturgo-AC) com partidas no sábado e decisão no domingo. Sexta haverá fórum sobre povos da floresta e sustentabilidade.
A segunda edição da Copa das Árvores chega à fase final neste fim de semana na Aldeia Kuntamanã, em Marechal Thaumaturgo (AC), reunindo equipes indígenas e comunidades ribeirinhas em partidas que combinarão disputa esportiva e compromissos ambientais. A programação oficial começa nesta sexta-feira (21) com um fórum de debates sobre povos da floresta e temas de sustentabilidade, e as semifinais de futebol serão disputadas no sábado (22), com as decisões marcadas para o domingo (23).
Criada com o objetivo de unir povos da floresta e difundir educação ambiental, a Copa das Árvores teve seletivas em municípios do interior do Acre e agora afina a disputa entre os times que avançaram. Depois da seletiva realizada na cidade de Jordão, o time Jordão Ybuia Esporte e Cultura garantiu vaga nas semifinais, integrando a tabela que definirá os campeões nas categorias masculina e feminina.
Pelo naipe masculino, a programação prevê Kuntanawa Futebol Clube (KFC) x João Ybuia às 9h, enquanto a Reserva Extrativista do Alto Juruá enfrenta a Seleção Apolima Arara a partir das 15h. No feminino, os confrontos valem a vaga para a final: KFC x Seleção Apolima Arana, às 8h, e Reserva Extrativista do Alto Juruá x Jordão Ybuia, às 14h. Os clubes classificados nas semifinais farão as partidas decisivas no domingo (23), quando serão conhecidos os campeões da edição.
O Kuntanawa Futebol Clube é o atual campeão masculino, enquanto a Reserva Extrativista do Alto Juruá foi a vencedora do naipe feminino em 2025. Com as semifinais agendadas, ambas as equipes entram na rodada com a missão de defender os títulos conquistados e confirmar o favoritismo dentro da aldeia que abriga o torneio.
Programação cultural, fórum e compromissos socioambientais
A programação da fase final começa nesta sexta-feira (21), na Aldeia Kuntamanã, com o Fórum de Debates sobre os povos das florestas e temas ligados à sustentabilidade e preservação da Amazônia. O cronograma do primeiro dia inclui ainda festival cultural, desfile e feiras de exposições, com presença prevista de entidades sociais, autoridades públicas, indígenas e comunidades ribeirinhas.
A organização estabeleceu requisito ambiental para as delegações: os times participantes tiveram de comprovar a construção de sementeiras com capacidade de produção de 1.000 mudas de plantas, frutíferas ou não, como condição para participação. A medida integra a proposta de associar a competição esportiva a ações concretas de recuperação e preservação ambiental na região.
Em declaração pública, o presidente da Associação Sociocultural e Ambiental Kuntanawa (Ascak), Haru Kuntanawa, explicou a exigência e o propósito da iniciativa.
“Todas as delegações, os atletas, são credenciados. Eles assumem um compromisso para o futuro das novas gerações, de cuidar das florestas, da biodiversidade.”
“A ideia é até 2030 ter uma plataforma com 10 mil jovens do estado inteiro e sócios torcedores da Copa das Árvores do mundo inteiro doando conforme sua moeda. Queremos ter 1 milhão de pessoas credenciadas como sócio-torcedor e protegendo uma árvore dentro da Amazônia, protegendo os guardiões da floresta.”
O torneio foi idealizado para ocorrer de forma anual até 2030, com a perspectiva de consolidar uma agenda esportiva que também funcione como instrumento de mobilização pela conservação da Amazônia e pela educação ambiental entre as novas gerações.
Retrospecto, o que está em jogo e o futuro da iniciativa
No aspecto esportivo, as semifinais definem quais equipes terão a oportunidade de disputar os títulos no domingo (23). Para o KFC, atual campeão masculino, a sequência de partidas representa a chance de manter o bom desempenho e buscar novo título; para a Reserva Extrativista do Alto Juruá, vencedora no feminino em 2025, está em jogo a defesa do troféu no naipe feminino. Para equipes como a Jordão Ybuia Esporte e Cultura, classificadas na seletiva de Jordão, a presença entre as quatro melhores representa avanço e visibilidade na competição.
Do ponto de vista regional e ambiental, a Copa das Árvores alinha uma agenda esportiva com ações de conservação — a exigência das sementeiras de 1.000 mudas por delegação é um exemplo concreto desse cruzamento. A referência de que cerca de 60% da Floresta Amazônica está no Brasil reforça a dimensão nacional da responsabilidade ambiental que o torneio busca colocar em pauta nas comunidades envolvidas.
Além da disputa em campo, o fórum de debates e as atividades culturais marcam uma temporada em que o evento pretende envolver atores variados: comunidades locais, lideranças indígenas e representantes de organizações sociais e públicas. A conjunção de atividades esportivas, culturais e ambientais pretende ampliar o alcance da iniciativa para além da região onde as partidas serão jogadas.
Nos próximos passos imediatos, a atenção se volta para a programação esportiva do sábado (22) e para a definição dos dois finalistas em cada naipe no domingo (23). Paralelamente, o Fórum de Debates e as exposições da sexta-feira (21) deverão detalhar compromissos, trocar experiências e articular possíveis parcerias que sustentem a ambição de ampliar a base de participantes e apoiadores até 2030.
Ao final do fim de semana, a Copa das Árvores terá definido campeões e avançado um teste prático de seu modelo híbrido, que associa futebol e preservação ambiental. A continuidade da competição ano a ano e a capacidade de atrair rede de apoiadores serão elementos-chave para que a iniciativa se consolidem como plataforma de proteção da floresta e de valorização das tradições dos povos da Amazônia.

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