Foto: Agência Brasil/EBC — uso em caráter informativo.
A grande final da Copa do Mundo se aproxima, marcada para o próximo domingo (19), e uma onda de ativismo se intensifica com uma demanda ousada: que este torneio seja o último a contar com o patrocínio de fabricantes de bebidas açucaradas. A campanha “Tirem o Refrigerante de Campo” está ganhando força e pressiona a FIFA a reavaliar seus contratos de patrocínio, especialmente com a Coca-Cola, uma das marcas que mantém sua associação com o maior evento do futebol mundial.
A iniciativa, que conta com a adesão de mais de 100 organizações da sociedade civil de diversas partes do mundo, tem como foco a preocupação com a saúde pública. Estudos têm demonstrado uma correlação alarmante entre o consumo de bebidas açucaradas e o aumento de doenças como obesidade e diabetes. De acordo com dados da campanha, para cada aumento de 250 mililitros na ingestão diária de bebidas adoçadas, o risco de obesidade cresce em 12%, enquanto o de diabetes tipo 2 aumenta em 19%. Além disso, as estatísticas indicam que a mortalidade por causas cardiovasculares se torna 13% mais alta com esses hábitos alimentares.
As entidades participantes incluem organizações brasileiras como o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) e a Aliança pela Alimentação Saudável, que estão unidas na luta contra o que chamam de “sportswashing”. Esse termo se refere à prática de marcas associando seus produtos a eventos esportivos para melhorar sua imagem, mesmo que esses produtos possam ser prejudiciais à saúde. A carta aberta enviada ao presidente da FIFA, Giovanni Infantino, ressalta que durante o torneio de 2026, até 6 bilhões de torcedores, muitos deles crianças, estarão expostos a campanhas publicitárias que promovem bebidas associadas a doenças.
“Isso é sportswashing: usar o poder do futebol para normalizar produtos prejudiciais à saúde. O futebol merece mais. Os torcedores merecem mais”, pode-se ler na carta.
A diretora executiva do Instituto Desiderata, Renata Couto, comenta sobre o impacto da publicidade de refrigerantes sobre crianças e adolescentes, afirmando que tal marketing é altamente eficaz em moldar comportamentos de consumo que podem levar a problemas de saúde a curto e longo prazo.
A pressão sobre a indústria de bebidas açucaradas não é novidade. O passado recente mostra que a indústria do tabaco também enfrentou um movimento semelhante, e gradualmente perdeu seu espaço como patrocinadora em eventos esportivos. A Fórmula 1, por exemplo, afastou gradualmente as empresas de tabaco de sua prateleira de patrocinadores nas décadas de 1990 e 2000.
A discussão sobre publicidade na Copa do Mundo não se limita apenas aos refrigerantes. A crescente presença de anúncios de plataformas de apostas também suscita preocupações entre a sociedade civil e autoridades, levando a restrições recentes no Brasil sobre esse tipo de propaganda.
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