Foto: Reuters — uso em caráter informativo.
A Seleção Brasileira de Futebol enfrentou uma eliminação precoce na Copa do Mundo de 2026, e agora é o momento de refletir sobre o que realmente deu errado. Entre os diversos fatores que contribuíram para esse desempenho insatisfatório, um em especial chama a atenção: o aproveitamento nas bolas paradas ofensivas, que chegou a ser considerado um trunfo da equipe.
No comando do técnico Carlo Ancelotti, o Brasil não conseguiu marcar nenhum gol em cobranças de faltas ou escanteios e, além disso, pouco conseguiu ameaçar o gol adversário. A Seleção teve apenas seis finalizações em 27 escanteios cobrados, sem nenhuma tentativa de cobrança de falta direta ao gol. Os dados, que revelam a ineficiência dessa estratégia, foram coletados do Gato Mestre.
Acho que existe fórmula do fracasso, desabafa Mari Spinelli sobre momento da Seleção.
O comentarista Rodrigo Coutinho analisou a situação e destacou a ausência de batedores mais habilidosos. Jogadores como Raphinha, Estêvão e Rodrygo não estavam presentes, e Neymar, que poderia assumir essa responsabilidade, não se mostrou em condições ao longo da competição. Contudo, a Seleção ainda contava com cabeceadores de qualidade, como Marquinhos, Gabriel Magalhães e Casemiro, que poderiam ter feito a diferença.
Durante a competição, a Seleção não conseguiu se destacar em jogadas de bola parada, o que não é novidade. Na Copa de 2022, o Brasil também teve um desempenho abaixo do esperado, com apenas nove finalizações em 37 escanteios e nenhuma cobrança de falta convertida. Os principais batedores, como Bruno Guimarães e Neymar, não foram capazes de mudar esse panorama.
Após a vitória sobre o Japão, Ancelotti fez uma análise franca, afirmando que o Brasil precisava evoluir nesse aspecto. Ele destacou que, em ligas como a Premier League, as equipes têm se preparado melhor para as jogadas de bola parada, com o Arsenal, por exemplo, marcando mais de 40% de seus gols nessas situações.
A principal liga do futebol mundial, a Premier League, se notabilizou em 2025/26 por altos índices de bolas paradas.
Francesco Mauri, novo responsável pelas bolas paradas da Seleção, traz uma nova abordagem. Ele já foi auxiliar técnico e se especializou em lances de bolas paradas, tendo trabalhado com Ancelotti em diversos clubes. Com a nova dinâmica, ele tem a liberdade de orientar os jogadores diretamente durante os lances de bola parada, uma estratégia que visa melhorar o desempenho nesta área.
Ancelotti também enfatizou a importância das bolas paradas, afirmando que 30% dos gols no futebol atual surgem dessas jogadas. Entretanto, a Seleção não conseguiu aproveitar suas qualidades, e ele reconheceu a ineficácia após as partidas. Ao longo do torneio, a falta de aproveitamento nas bolas paradas se tornou evidente, e a esperança de um resultado positivo nessa área se dissipou.
Historicamente, o Brasil já foi uma potência em gols de bola parada, com 16 gols marcados em suas cinco conquistas da Copa do Mundo. Em 1958, por exemplo, Didi marcou um golaço de falta na semifinal contra a França. Contudo, a realidade atual é bem diferente, e a Seleção precisará urgentemente rever suas estratégias para não repetir os erros no próximo ciclo.

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